COMEÇA A BIENAL DO
LIVRO
Dois primeiros
dias do evento
em São Paulo
serão dedicados
aos profissionais
da área editorial
Telma Elorza
Enviada especial

DivulgaçãoLançamentos correspondem a apenas 10% do que estará exposto, Bienal é uma grande vitrine do que as editoras têm em catálogoA 15ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo começa hoje com uma grande expectativa: vai ser um sucesso. Pelo menos, esta é a certeza da Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do evento. E está baseada em números. Com menos um dia destinado a profissionais da área que a edição anterior - apenas hoje e amanhã serão destinados a visitas de livreiros, professores, agentes literários e outros - o número de presenças agendadas já bate a da anterior. Enquanto em 1996 a Bienal recebeu 66 mil profissionais, este ano, às vésperas da inauguração, o evento já tinha confirmado que 65 mil profissionais virão percorrer os longos e inúmeros corredores do Expo Center Norte, onde acontece o evento, até o dia 10 de maio.
O grande público, porém, só vai ter acesso mesmo a partir de sexta-feira. A CBL espera que mais de um milhão de pessoas passem pelas catracas eletrônicas instaladas na única entrada do recinto - dividido em três pavilhões, azul, verde e vermelho, que abrigam cerca de 400 estandes e 815 expositores em uma área total de 43 mil metros quadrados. E a previsão não vai ser difícil de alcançar. Até o momento, cerca de 190 mil escolares da grande São Paulo já agendaram visitas.
As crianças, aliás, serão tratadas como reis. Os ‘‘leitores de amanh㒒, como são chamadas, terão um grande número de lançamentos programados, além de atividades diversas e um espaço especialmente preparado para divertir instruindo: o ‘‘Mundo Mágico do Livro’’, um estande com 300 metros quadrados que vai mostrar como são feitos e produzidos os livros.
Segundo o presidente da CBL, Altair Brasil, historicamente o evento sempre privilegiou as crianças. Tradicionalmente, os livros infantis são campeões de venda na Bienal. E isto se deve ao simples fato de que investimos muito nesta área para atrair novos leitores - diz. Segundo ele, é preciso investir mais, inclusive na formação de bibliotecas. ‘‘No Brasil, não se investe nem um por cento do orçamento da Educação em bibliotecas. E isto, mais que uma simples questão de cultura, é uma questão de liberdade. Não existe liberdade sem informação’’ - garante.
Quem visitar a Bienal apenas para conferir os lançamentos vai estar perdendo uma boa parte do evento. Na Bienal, os lançamentos não representam 10% dos títulos que estarão expostos. Segundo o presidente da CBL, a Bienal pode ser vista como uma grande livraria. ‘‘O estoque comum de uma livraria é formado por cerca de 20 mil títulos. Aqui teremos nove vezes este número. O evento é a chance para que as editoras mostrem o que têm em catálogo e não apenas o que está exposto nas vitrines. Historicamente, estes títulos são sempre bem vendidos nas bienais’’ - garante.
Além das sessões de autógrafos e bate-papos com os autores, promovidos pelas editoras, a Bienal traz também uma série de eventos técnicos. Estes eventos começam hoje com o seminário ‘‘Nova Lei de Direiros Autorais’’ onde serão discutidos seus avanços e imprecisões. Amanhã estará em pauta o International Standart Book Number (ISBN) e, no dia 1, o DOI System e IDF (software de consulta de publicação via Internet).
Na área cultural, estão programados sete seminários - que vão desde pesquisas sobre ensino até literatura infanto-juvenil - além de dois cursos, palestras diversas e mesas-redondas.

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