Começa a Bienal do Barro
A terra vai invadir os salões de galerias e museus com a Bienal Barro de América Roberto Guevara, que abre hoje ao público de São Paulo, no Memorial da América Latina e no Paço das Artes.
A exposição traz trabalhos de artistas que utilizam terra como matéria-prima de suas obras ou como fonte de inspiração. São obras como a do venezuelano Samuel Baroni, que criou um gigantesco cone feito de isopor e revestiu-o com terra, ou trabalhos como o da brasileira Nazareth Pacheco, que preencheu três colunas de acrílico com farinha de mandioca, que serão expostas na parte externa do MuBE. A bienal, criada pelo curador venezuelano Roberto Guevara, teve início em Caracas, Venezuela, em 1992. Morto em março deste ano, Guevara queria unir artistas das Américas que usassem elementos oriundos da terra, como barro, argila e minérios, como base para a criação de seus trabalhos ou que aludissem à terra em suas obras.
Desde a primeira mostra, Guevara pretendia que a Bienal tivesse uma edição brasileira. O sonho do curador só se concretiza agora, após a terceira edição do evento, que aconteceu entre maio e agosto deste ano na Venezuela.
A curadoria da edição brasileira ficou a cargo dos brasileiros Fábio Magalhães, diretor-presidente do Memorial da América Latina, e da crítica de arte Leonor Amarante.
Entre os trabalhos apresentados, há obras como a da mexicana Teresa Serrano, que exibe uma videoinstalação em que dois monitores trazem imagens de um homem e uma mulher cobrindo seus rostos com lama e se transformando em figuras como James Dean e Sophia Loren. O venezuelano Luis Lartitegui criou uma instalação com pequenos espelhos que invertem a imagem refletida. O grupo arquitetônico brasileiro ABC Terra, por sua vez, compôs um grande labirinto feito de taipa que será exposto na parte externa do memorial.Arquivo FolhaArtistas utilizam barro, argila e minérios em obras que aludem à terraBruno Garcez
Agência Folha





