A esperada programação artística do Festival Internacional de Londrina (Filo 2000) sofreu uma redução significativa e este ano terá um grande vácuo sem a realização do Cabaré, importante evento que, mais que um ponto de encontro dos participantes do festival, tornou-se um local de referência para o público. Serão 26 apresentações de 10 espetáculos com direções estéticas diferentes, além de uma programação paralela que inclui novas oficinas e continuidade de alguns projetos, uma exposição cenográfica, um fórum de cenografia e uma mostra de vídeos (leia textos nesta página).
Este ano se apresentam no Filo grupos de Portugal, Argentina, Espanha, Itália, Inglaterra e Brasil, com espetáculos como ‘‘Carmen, Sambópera’’, de Augusto Boal, ‘‘Venecia’’, da argentina Helena Tritek e ‘‘A + B = X’’, do inglês Gilles Jobin (veja programação completa no final da página).
Um balanço das atividades realizadas durante o mês de maio e a realização da segunda etapa do Filo em junho foram divulgados ontem, em entrevista coletiva, pela diretora geral do evento, Nitis Jacon. Os problemas financeiros enfrentados pelo festival não deixavam esconder uma certa frustração dos organizadores, mas Nitis Jacon abriu a entrevista falando do êxito dos Projetos de Maio, período em que também aconteceram 60 apresentações de 26 espetáculos, reunindo um público estimado em 20 mil pessoas.
Apesar do Fórum de Política Cultural não ter sido realizado e da suspensão dos projetos Dogma 95 e Homenagem a João Cabral de Melo Neto, a diretora acredita que as demais propostas foram bem-sucedidas. Ela aposta, agora, na manutenção do trabalho iniciado com as oficinas, proporcionando uma assessoria técnica e estratégica do Filo nos locais onde os projetos germinaram – como é o caso da Oficina de Moda com a Associação de Mulheres União Faz a Força e a Oficina de Palhaços na Penitenciária Estadual de Londrina.
Diante das experiências concretizadas, Nitis Jacon afirma que Londrina pode realizar um projeto de política cultural permanente. ‘‘A nossa proposta era um ensaio dessa política e vimos que isso é possível. Já enxergamos a continuidade estampada em alguns projetos. Qualquer governo pode apresentar e realizar uma política cultural. Peço que isso não acabe.’’
A segunda etapa do Filo, de 1º a 18 de junho, teve cortes de 80% na programação, incluindo o Cabaré. A organização chegou até mesmo a prever o cancelamento das atividades de junho devido às ‘‘verbas que não chegaram’’.
‘‘É uma lástima que por razões menores não possamos realizar o Cabaré, uma invenção de repercussão internacional. É uma grande perda, sem contar a suspensão das outras atrações’’, diz Nitis. Entre os espetáculos cortados estão o do grupo Sémola Teatre, de Barcelona, dos Parlapatões, Patifes & Paspalhões (que estiveram no Filo em maio), da brasileira Denise Stoklos, e do Warner & Consorten, da Holanda.
Nitis Jacon explica que o festival teve de enfrentar a concorrência das comemorações dos 500 Anos de Descobrimento do Brasil e a ausência do patrocínio de estatais – através das quais a expectativa era conseguir cerca de R$ 1 milhão. ‘‘Todas estavam comprometidas com as festividades dos 500 Anos’’, argumenta.

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