''Combatemos a hipocrisia''
Quem diz é Jonathan Santos, vocalista da banda Blackout que está conseguindo levar sua música além da periferia de Curitiba
A banda Blackout foi uma das primeiras em Curitiba a tocar publicamente o ritmo Rap. Os integrantes Jonathan, Bill e Primo se conheceram nas ruas da periferia e formaram o grupo em 1993. Mantendo hoje a média de um show por mês, eles comemoram na próxima semana o lançamento da segunda fita demo, Magia Negra, numa festa que acontecerá no Circus Bar.
O primeiro trabalho do grupo foi gravado na fita Nossa Vez, comercializada em festas e lojas específicas. O vocalista Jonathan Rodrigues dos Santos conta que a banda, além de conquistar a periferia da cidade, já conseguiu também entrar em locais tipicamente curitibanos, como a Feira de São Francisco e a Casa Andrade Muricy.
Para definir melhor as propostas do movimento e da banda, o vocalista canta um trecho da música Magia Negra, uma das mais famosas do grupo: Hip Hop é o nosso dia a dia, transmitir a verdade é a nossa filosofia. (S.M.)
Qual é a diferença entre o Rap e o Hip Hop?
Jonathan Rodrigues - O Hip Hop é a árvore e o Rap é o fruto, assim como os grafites e a dança. Hip Hop é o nome do movimento e Rap é apenas o nosso veículo musical.
Quem é o público do Hip Hop em Curitiba?
Jonathan Santos - A grande maioria é da classe baixa. Temos um pequeno número de seguidores na classe média e pouquíssimos na classe alta.
Qual é o objetivo do movimento?
Jonathan Santos - Levar a cultura para a periferia, para as pessoas de baixa renda e que tem menos acesso a ela. Em nossas composições transmitimos o lado positivo da vida, resgatando o que há de melhor nas pessoas. Falamos da realidade dos bairros, das cidades e do País, combatendo a hipocrisia. Não queremos que as pessoas fiquem alienadas achando que a cidade é feita apenas de estações-tubo e de parques.
Vocês fazem política através das músicas?
Jonathan Santos - O Blackout não se associou a nenhum partido político, mas faz uma constante análise da política. O que fazemos é uma política de esclarecimentos à população.
A preocupação do Hip Hop é maior com as letras do que com a melodia?
Jonathan Santos - Fazemos um texto rimado, com melodia mais seca, mas ela não deixa de ser uma melodia. O que acontece é que ela é diferente de outros ritmos, não podemos comparar a nossa melodia com uma música do Gilberto Gil, por exemplo.
O movimento Hip Hop em São Paulo está ajudando a combater as drogas e a violência urbana. Em Curitiba está acontecendo o mesmo?
Jonathan Santos - O Hip Hop tem efeitos rápidos e diretos, fala a linguagem do jovem e se transforma facilmente numa bandeira a ser seguida. O movimento também resgata a auto-estima, mostra aos jovens da periferia que eles podem fazer música, grafites e dança, ou seja, que são capazes de fazer algo legal. Quem se valoriza não cai nas drogas ou no crime, por isso, o movimento se transforma numa válvula de escape.





