Combate à exploração infantil é campanha da rede de ensino
Maio Laranja integra ações de enfrentamento à exploração sexual e violência contra crianças e adolescentes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 2025
Maio Laranja integra ações de enfrentamento à exploração sexual e violência contra crianças e adolescentes
Walkiria Vieira 

De acordo com o Atlas da Violência 2025, no Brasil, 13 crianças e adolescentes são vítimas de algum tipo de violência sexual, física ou psicológica a cada hora. Os dados divulgados pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam também que as denúncias de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes aumentaram 195% nos últimos quatro anos.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o número de casos recebidos pelo Disque 100 saltou de 6.380, em 2020, para 18.826 em 2024, totalizando mais de 115 mil vítimas por ano.
Não por acaso, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração (18 de maio) é realizado desde o ano 2000 e difundido por atos em todo o Brasil - como forma de prevenir casos e também repudiar todo tipo de violência. Além da data, atividades durante todo o mês são realizadas e por meio da Campanha Maio Laranja.
O marco para a realização de ações de prevenção a violência sexual é o caso do desaparecimento e morte de Araceli Cabrera Crespo, aos oito anos, em maio de 1973. Araceli foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada no Espírito Santo.
CUIDADO DIÁRIO
Embora o tema seja delicado porque desperta dor, medo, vergonha e silêncio, principalmente porque envolve violências graves e muitas vezes praticadas por adultos próximos ou de confiança da vítima, a abordagem exige cuidado, sensibilidade e responsabilidade - tanto para proteger as crianças e adolescentes quanto para não causar revitimização.
Coordenadora da Equipe de Mediação e Ação Intersetorial - Gerência de Educação Especial, da Secretaria Municipal de Educação, Patrícia Gomes dos Santos Baltieri ressalta a relevância da abordagem da campanha Maio Laranja nesse período.

Todas as ações têm como objetivo mobilizar a sociedade para a prevenção e o enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes. "Trabalhar esse tema no ambiente escolar é de fundamental importância, pois a escola é um espaço privilegiado de escuta, acolhimento e promoção de direitos", expõe Baltieri.
Ao desenvolver práticas educativas, reflexivas e formativas, a escola contribui diretamente para romper o silêncio, ampliar o conhecimento da comunidade sobre os sinais de violação de direitos. "Essas ações não apenas informam, mas também criam um ambiente de confiança e segurança, em que o diálogo é valorizado e a escuta é acolhedora", acrescenta.
Outro ponto fundamental mencionado pela educadora é o trabalho articulado com a Rede Intersetorial de Proteção Social à Criança e ao Adolescente de Londrina com a finalidade de promover o atendimento e o acompanhamento integral da criança, do adolescente e de suas famílias, considerando, ainda, a necessidade de complementar as atividades das diversas políticas públicas envolvidas.
"É essencial que as ações de prevenção não se limitem a datas pontuais, como o Maio Laranja, mas estejam presentes no cotidiano das instituições. A promoção contínua de uma cultura de cuidado e proteção deve ser parte integrante da rotina escolar e comunitária, tornando-se um compromisso permanente com a infância e a adolescência", sustenta.
No dia a dia, o trabalho de prevenção à violência contra crianças e adolescentes se concretiza por meio de práticas como o fortalecimento dos vínculos escolares, o acolhimento qualificado, a escuta atenta dos estudantes e o diálogo constante com as famílias.
ESCUTA PROFISSIONAL
A Secretaria Municipal de Educação de Londrina possui a Coordenadoria de Mediação e Ação Intersetorial (Comai) no âmbito da Gerência de Educação Especial (GEE).
Dentre as várias atribuições da Coordenadoria, há um projeto intitulado “Círculos de Construção de Paz” que consiste na realização de círculo de diálogo, fundamentados na Justiça Restaurativa, se apresentando como uma metodologia eficaz para promover o diálogo, a escuta ativa, o respeito mútuo e a corresponsabilidade, contribuindo para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor, empático e colaborativo.
O papel do de um professor mediador, por exemplo, é o de atuar de forma articulada com a Rede Intersetorial de Proteção Social à Criança e ao Adolescente. A equipe é referência no monitoramento, prevenção e enfrentamento de situações como evasão ou abandono escolar, abuso ou exploração sexual e outras formas de violência.
Uma das conquistas da escola é que todo o movimento realizado durante o Maio Laranja e ao longo de todo o ano letivo, proporcionam aos alunos o sentimento de segurança, proteção e acolhimento.

ATO NACIONAL
Em Londrina, o ato foi realizado no sábado (17) com panfletagem e orientações ao público no Calçadão e com apresentações culturais na Concha Acústica com a participação de integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), do Conselho Tutelar, educandos e educadores dos Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo e Programa de Aprendizagem Profissional.
A rede municipal de Educação e Cultura Cambé também trabalha na prevenção e enfrentamento das situações de violências e abriu o mês de maio com uma agenda de formações, tendo como público-alvo, os professores das séries do ensino fundamental (segundos e quartos anos) e, ainda neste mês serão realizadas formações com os professores.
Os professores, sobretudo, são os profissionais presentes diariamente em atividades e que alcançam maior interação e diálogo com os alunos, abre possibilidades de relatos por partes deles, que podem ser identificados por esses docentes situações gravosas acerca das violências vivenciadas.
De acordo com a assistente social da Secretaria Municipal de Educação e Cultura Lisieux Osmarina Petrassi de Moraes, a formação têm sido um momento muito importante para o município e por meio dela alunos podem contar com uma escola atenta às suas necessidades.
"Temos uma equipe de especialistas multiprofissionais: psicólogos, fonoaudiólogos, assistente social e pedagogos que acompanham essas situações junto aos alunos da rede de ensino", diz.
Moraes destaca ainda que, em abril, foram realizadas formações específicas de protocolo interno de enfrentamento às violências, instituído na rede municipal e o público-alvo foram os coordenadores e diretores escolares.


