Com todas as cores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de março de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
Uma falha da organização do 7º Festival de Teatro de Curitiba fez com que a peça Seroc - Um Mundo de Cara Nova, de Regina Vogue, não constasse em nenhuma material de divulgação do evento. Esse esquecimento tornou o espetáculo um ilustre desconhecido da mostra oficial. Mesmo assim, está estreando hoje no Teatro Sesc da Esquina, às 19h.
Seroc - uma brincadeira com as letras que quer dizer cores, ao contrário - é o primeiro trabalho deste ano da produtora Regina Vogue. Ela fez uma reclamação ontem à Folha2 sobre o esquecimento de seu espetáculo. É uma falha grave, disse. Fiquei lisonjeada quando fui convidada para participar do FTC, mas sem divulgação perde toda a razão qualquer honraria.
Regina não foi a única. Como Nasce um Palhaço também passou em branco. Sabe-se, pelos corredores teatrais, que Cleide Piasecki, autora, diretora e uma das atrizes de Cara de Botina está procurando fazer o que pode por conta própria. Cartaz do Fringe, dias 28 e 29, ainda tem tempo para correr atrás de divulgação.
Fiquei decepcionada com a falta de atenção sofrida pelo teatro infantil. Não estou chateada com o que aconteceu comigo, tão somente. Fico apreensiva é com o tratamento dado ao teatro infantil. Ele tem que ser igual ou melhor que o teatro adulto, porque é através dele que se formará a platéia do futuro. Não podemos apresentar trabalhos ruins, para não dar má impressão às crianças.
Seroc - Um Mundo de Cara Nova desenvolverá sua carreira depois do festival, no Teatro da Reitoria, a partir do dia 5 de abril até o mês de junho. Na peça exploramos o significado das cores, incentivamos a criatividade das crianças com uma peça que valoriza a sensibilidade, segundo Regina. O texto, nesta montagem, fica em segundo plano.
Cinco atores atuam num cenário montado em palco-arena, ladeado por cinco camarins. A proposta é de um trabalho essencialmente plástico, baseado em imagens, que não apresente estória nem montagem tradicionais. Usam-se quadros isolados, onde são discutidas as várias tonalidades das cores, das frias e quentes, às primárias e secundárias. Sem esquecer o aspecto poético e romântico.


