Jackeline Seglin
De Londrina
Não é de hoje que a sátira invade a política, a cultura e as mais diversas áreas. A paródia é um gênero que há muito tempo vem sendo utilizado para fazer críticas de forma bem-humorada. Em Londrina, há sete anos um festival tem levado ao público uma série de paródias criadas por alunos de 2º grau da rede estadual de ensino.
No sábado, o Cine-Teatro Ouro Verde será o palco da final do 7º Festival de Paródias, organizado pelo Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Universidade Estadual de Londrina. As apresentações dos 21 trabalhos selecionados começam às 14 horas.
O concurso é um evento ligado ao projeto de extensão ‘‘Prole: A redação como um produto de leitura’’, que funciona durante todo o ano com 14 estagiárias do curso de Letras, que ministram aulas em cinco colégios da cidade.
Neste festival, as paródias são divididas em três categorias: história, poesia e música. ‘‘Neste ano deixamos os alunos mais livres para fazer a escolha do tema’’, informa a professora Martha Gonçalves, uma das coordenadoras do projeto.
A música, segundo a professora, foi a categoria mais procurada. São 10 letras, seis poesias e cinco histórias. ‘‘Entre as músicas predominam o que eles mais ouvem, que é o sertanejo, o pagode e o rock’’, conta. Nove paródias serão escolhidas na final – três em cada categoria. Os alunos receberão prêmios em dinheiro e bolsas de estudo do curso Sigma Vestibulares.
Os trabalhos a ser apresentados no sábado foram selecionados por uma comissão do festival entre 210 paródias inscritas. O julgamento dos melhores números será realizado por uma banca composta por cinco pessoas (três professores da UEL, um jornalista e um professor da Unesp de Assis).
Martha Gonçalves detalha que para cumprir sua função, a paródia deve respeitar três itens: fazer a intertextualidade com o texto original, fazer uma crítica (social, política, etc), ter humor – o que muitas vezes fica de fora – e criatividade, fundamental para quem se inspira em outro texto.
A escolha da paródia como gênero a ser desenvolvido no projeto se deve a vários fatores. A professora diz que quando alguém escreve um texto, tem a expectativa de que alguém o leia. ‘‘Quando o professor corrige o trabalho, esse objetivo não é cumprido exatamente.’’ No caso do festival, os 21 selecionados terão uma platéia e jurados que irão avaliar cada trabalho.
A paródia, segundo Martha, também é um gênero bastante antigo que vem sendo explorado durante muito tempo sem perder a atualidade. ‘‘Ela possibilita a crítica de maneira humorística, mais gritante. Sem contar que, em sala de aula, permite o contato dos alunos com textos da literatura, nem sempre conhecidos. A garotada está curtindo fazer paródia, que é uma coisa que foge ao texto sério.’’
Mestre em Filologia e Linguística Portuguesa pela Unesp de Assis, Martha Gonçalves está fazendo doutorado, cuja tese tem como tema o Festival de Paródias. Com base em seus estudos, a professora alerta que não há uma técnica específica para fazer a paródia. ‘‘Ela se inspira num outro texto. Quando a pessoa é mais criativa, subverte o texto original.’’ Aí está o segredo.
- 7º Festival de Paródia. Sábado, às 14 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingresso a R$ 1,00 (dá direito a um livrinho com as 21 paródias).

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