Muita maquiagem, pouca roupa e bastante sedução foram elementos que permearam todas as aparições de Rita Guedes na tevê. Até aparecer a chance de encarnar a romântica Doralice de "Flor do Caribe". A atriz garante que sempre sonhou com a oportunidade de interpretar tipos que chama de "mais minimalistas" e "sem glamour". Mas, confessa, achava difícil que isso acontecesse em sua vida. Até ouvir do diretor Jayme Monjardim que ele queria "desconstruir a imagem de gostosona que o público conhece". "Acho que foi uma das maiores provas de confiança que já recebi na televisão. E isso porque nunca tinha trabalhado com ele. Fiquei emocionada quando aconteceu", conta.
Recebido o papel tão esperado, Rita fez questão de se dedicar ao máximo à composição. Para encontrar o tom ideal em sua interpretação e as emoções necessárias no texto da personagem, até se isolou em casa para, recolhida, resolver essas questões. "Ninguém me viu no Carnaval, até acharam estranho. Sabia que precisaria desenvolver um trabalho interno intenso, então preferi a solidão", argumenta.

Você ainda é vista como uma mulher bonita e exuberante. O que é feito para amenizar isso nas cenas da novela?
Eu quase não uso maquiagem. Só passamos o que é preciso para tirar brilho, essas coisas. Antes, eu levava duas horas me arrumando nos trabalhos. Agora, não passo de meia hora. O cabelo está quase sempre preso, nunca de maneira que possa parecer provocante. Eu propus que ficasse mais preso. O figurino todo é sem decote ou saia curta. Não tem nem cintura marcada, fica tudo reto e mais romântico. Até nos gestos eu me controlo, para não transmitir qualquer sensualidade.

Para interpretar a Doralice, você passou por um laboratório intenso de cozinha. Aprendeu a cozinhar?
Tive aulas com uma chef que a produção conseguiu para mim. Como não sabia cozinhar, isso era fundamental. Chamaram a Ana Rita Menegaz, que é a chef do Palácio da Guanabara (residência oficial do governador do Rio de Janeiro). Ela me ensinou a cortar como profissional e eu aprendi. Agora, corto tudo de olhos fechados. Mas é claro que cortei muito o dedo até chegar a esse ponto. E aprendi a fazer moqueca, pastel de santa clara, toucinho do céu, barriga de freira e mousse de frutas vermelhas light ou de goiaba com creme de queijo derretido. Quis aprender mais pela postura, queria saber como me comportar como uma chef de cozinha. Meu desejo era estar impecável e a produção conseguiu a Ana para me ajudar. Fizemos dois meses de treinos. Fiquei bem mais segura, juntando com a experiência de cinco anos de estudos nos Estados Unidos, onde eu estava morando.

Você se arrepende de ter passado tanto tempo fora do Brasil?
De forma alguma. Me valeu muito! Acho que as pessoas vão perceber isso agora. Primeiro, que só de morar fora, vivendo uma cultura diferente e tendo de me virar, já me mudaria. Fiquei cinco anos em Los Angeles e fui para estudar, esse sempre foi o meu objetivo. Está certo que eu não achei que fosse ficar tanto tempo, mas um namoro e os cursos que eu fazia começaram a me empolgar. Tive a oportunidade de estudar com "coaches" de nomes como Johnny Depp, Jack Nicholson e Halle Berry. Não se joga isso fora.

Que tipos de cursos você fez?
De vários gêneros e tipos, o que me favoreceu. Lá, eu tinha de fazer as coisas em inglês e a língua diferente já dificulta. Se emocionar e passar emoção em um idioma que não é seu não é mole. Mas isso me fez bem como atriz. Hoje, consigo analisar melhor as cenas que tenho de gravar. Tive aulas de comédia e "sitcom", de vilãs, de drama, de filmes de ação, enfim, investi a maior parte do meu tempo nos Estados Unidos na minha formação.

Fazer novelas brasileiras fez com que você fosse bem vista nessas seleções? Nossa dramaturgia tem força entre os profissionais de lá?
Sim, vi que a novela brasileira é mesmo bem aceita fora daqui, é um produto que chama atenção. Hoje, de uma maneira geral, a televisão está bem forte nos Estados Unidos. Antes, havia uma distinção entre cinema e tevê. Mas a programação deles deu um "upgrade" porque os atores de cinema, agora, estão topando fazer séries. Hoje, os canais americanos estão com nomes que impressionam. Antigamente, as pessoas não viam tanto o que a televisão exibia nos Estados Unidos.

Chegou a tentar trabalhar lá?
Não tentei porque, apesar de até ter vontade, esse nunca foi meu objetivo. Para ter acesso a essas coisas, não é fácil. Tem de ter um agente, assinar contrato, ter um visto de trabalho, enfim, uma burocracia tamanha que não estava com vontade de correr atrás. E não queria começar do zero de novo. Já fiz isso no Brasil e sou bem feliz com as coisas que tenho aqui.

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