Com respeito, alunos trocam idéias com kaingangs
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sexta-feira, 27 de abril de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O Dia do Índio foi comemorado no último dia 19, mas para os alunos da Escola Aliança de Ensino Fundamental o tema merece ser respeitado e celebrado o ano todo. Dentro dessa proposta, ontem de manhã 70 alunos da instituição participaram de uma palestra sobre a cultura indígena.
Os estudantes assistiram a um vídeo sobre o Ritual do Vogá que acontece a cada 30 anos e lagartas são consumidas - e apresentaram duas músicas para as famílias indígenas kaingang que temporariamente estão hospedadas nos abrigos que integram o projeto Vãre Centro Cultural Kaingang. Roupas, brinquedos e livros também foram doados pelos alunos.
Organizados em círculo dentro de prédio do Centro Cultural que lembra a estrutura de uma oca, os alunos apresentaram as músicas ''Pãvê Jajerojy'' - que em tupi-guarani significa ''Reverenciando a Deus'' e faz parte do CD Memória Viva Guarani -, e ''Tututu Tupi'', de Hélio Ziskind. Com faixas de tecido com frases que fazem referência aos índios amarradas na cabeça e utilizando instrumentos de percussão feitos com materiais recicláveis, como garrafas plásticas e latinhas, os alunos deram uma bonita demonstração sobre a cultura indígena que muitas vezes passa despercebida no currículo escolar.
Após a apresentação, os alunos também puderam satisfazer a curiosidade de conhecer uma das casas-abrigo onde os índios se instalam em Londrina, no período máximo de 30 dias, para vender o artesanato que produzem na cidade ou fazer algum tratamento de sáude. Construídas com troncos e cobertura de sapé, as casas chamaram a atenção das crianças que acharam interessante perceber que com pouca estrutura os índios conseguem sobreviver e que não utilizam fogão à gás para preparar as suas refeições.
O índio Mário de Oliveira Kikoen, que há 20 anos foi cacique da Tribo Indígena do Apucaraninha, onde atualmente vivem cerca de 1.500 índios, gostou da apresentação das crianças. ''Foi muito bonita e me fez lembrar dos rituais antigos que a minha mãe me contava que acontecia. Hoje já não há tanta dança e música e precisamos resgatar e preservar a nossa cultura'', afirmou.
O membro da ONG Centro de Intervenção e Pesquisa em Saúde Indígena (Cipsi), Vítor Hugo Possetti, também aprovou a iniciativa. ''A escola é um instrumento fundamental para criar um contato interétnico mais respeitoso, que promove um diálogo benéfico entre o homem branco e os índios, que têm a oportunidade de falar e mostrar a sua cultura. Eles se sentem valorizados e esse tipo de contato também tira o romantismo do livro'', destacou.
A aluna Yhassodara Narimatsu, de 10 anos, explicou que a letra da música que cantou em tupi-guarani significa ''todos nós estamos reverenciado a Deus na aldeia feliz e se alegrando'' e comentou que gostou muito de aprender mais sobre os índios. ''Achei muito legal conhecer o modo como eles vivem e gostaria de conhecer uma tribo. Acho importante que a gente compre o artesanato deles. Só dar dinheiro não ajuda a preservar a cultura do índio'', disse.
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Angela Maria da Silva Ribeiro, a temática do índio será trabalhada até o final do ano já que a escola adotou o livro didático ''Viver é descobrir Londrina'', da Editora FTD, de autoria de Mágda Tuma, que traz um contéudo aprofundado sobre o assunto. ''A nossa intenção é mostrar que o índio merece todo o nosso respeito e que a sua cultura precisa ser preservada. Foi o homem branco que invadiu um espaço que já pertencia ao índio e precisamos aprender com a cultura índígena a preservar o meio ambiente'', ponderou.


