Aos 57 anos, Jon Bon Jovi segurou o show no carisma, apresentando muitos hits
Aos 57 anos, Jon Bon Jovi segurou o show no carisma, apresentando muitos hits | Foto: Mauro Pimentel /AFP

São Paulo - Pulando e sorrindo, aos 57 anos, Jon Bon Jovi subiu ao palco Mundo, o principal do Rock in Rio, no começo da madrugada desta segunda-feira (30), para fechar o terceiro dia do evento.

Abriu com a ótima "This House Is Not for Sale", de seu disco de 2016. De cabelos grisalhos e mais curtos do que nos anos 1980, cantou sem gritar a música seguinte, o grande sucesso "Born to Be My Baby", de 1988.

Apesar da contenção, o público respondeu feliz. Cantando e pulando, esse era o show que todos esperavam no domingo. Jon usa uma camisa preta, que logo encobrirá com uma jaqueta branca. Está meio frio no Rio.

"You Give Love a Bad Name" chacoalha a arena do rock. Sem Richie Sambora, seu parceiro de 30 anos, ele mantém o carisma e domina a plateia. Muitos hits ainda virão nesta noite.

Jon Bon Jovi é amado pela plateia. E há razões antigas: a garotada masculina dos anos 1980 odiava o rock de arena do Bon Jovi. Mas porque ele era bonito. A garotada feminina dos anos 1980 podia até odiar o rock de arena do Bon Jovi. Mas o amava porque ele era bonito.

Poucos sabem que Jon Bon Jovi é um herói de New Jersey, sua cidade. Onde, desde 2011, ele mantém uma fundação e um restaurante, The Soul Kitchen, grátis para os pobres. Ou ricos. Basta chegar, comer e pagar, se quiser.

Na metade do show do Rock in Rio, provavelmente sem saber o que significa se enrolar com uma bandeira do Brasil no Brasil dos dias de hoje (ele é anti-Trump), Bon Jovi se enrolou com uma.

Sua voz quase sexagenária anda esquisita, às vezes parece uma imitação feita pelo Pato Donald, ou o inverso. Principalmente quando ele fala, após cantar quase uma dezena de músicas.

Para dar um refresco, o tecladista assume o vocal por uma canção. Mas no fim há uma fila de hits, todos executados com tesão pela banda e cantadas com animação pelo vocalista. Após cinco minutos de suspense, o bis com a matadora balada "I'll Be There for You" e o estupendo rock "Livin' on a Prayer".

As versões não foram viscerais, longe disso. O que se viu foi mais uma banda de apoio ao cantor, que se esforçou a valer.Mesmo assim, é certo dizer que foi a set list mais 'matadora' do primeiro fim de semana desse Rock in Rio 2019.

AXÉ E DIVERSIDADE

A cantora catarinense Jade Baraldo abriu a programação do palco Supernova do Rock in Rio neste domingo (29) com sua mistura de indie pop e dançarinos no palco. O espaço é uma das novidades do festival esse ano, e abre as portas para artistas jovens que num futuro não tão distante devem ocupar os palcos maiores do Rock in Rio.

No palco Sunset, Elza Soares estreou o seu novo show, Planeta Fome. A nova formatação do show vê Elza sentada em uma plataforma elevada atrás da banda que a acompanha no lançamento do disco, o terceiro da fase contemporânea da cantora, um conjunto compacto de dois produtores, uma guitarra, percussão e backing vocals. Elza fez um show bastante politizado, com direito a gritos de "Brasil de cabeça erguida!", "180 neles! Machistas não passarão" e "Vamos aprender a votar, porque nós não sabemos".

A baiana Ivete Sangalo: "Hoje é dia de rock, mas também de axé"
A baiana Ivete Sangalo: "Hoje é dia de rock, mas também de axé" | Foto: Mauro Pimentel / AFP

Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo com direito a palinha na bateria. O tempo nublado não foi um problema: do Mundo ao Sunset, e até mesmo ao redor, o público se voltou para acompanhar a cantora, que abriu espaço para o funk com um sucesso brasileiro atrás do outro. Com Sai da Minha Frente, de Anitta, Ivete pula para Cerol na mão do Bonde do Tigrão e Vai Lacraia, de Mc Serginho. "Quero dizer uma coisa. Hoje é dia de rock", e depois de um silêncio, "mas é dia de axé também!"

Um dos melhores shows do final de semana foi o da cantora Iza, que subiu ao palco Sunset para consolidar uma história que ela própria começou em 2017, quando pisou no mesmo palco para salvar um show àquela altura morno de Cee Lo Green. Dessa vez com seu nome na frente do cartaz, a cantora pop apresentou um show com produção refinada e sucessos na boca do povo. O grande momento foi a participação de Alcione, com quem cantou Não Deixe o Samba Morrer (para um coro unânime), Meu Ébano e uma versão soul arrasadora de Você Me Vira a Cabeça.

Pela primeira vez no Brasil, depois de uma turnê em algumas cidades com o Bon Jovi, os americanos do Goo Goo Dolls fizeram um show de rock decente, sem depender do hit Iris, última canção do setlist.

A britânica Jessie J pediu ao público um show 'olho no olho'. Com letras que falam sobre diversidade, inclusão e empoderamento, a sua segunda passagem pelo Rock in Rio também foi marcada por mensagens que remetiam ao amor próprio, clamado pela cantora em Queen e acompanhada pelo coro da plateia. "Eu amo meu corpo, eu amo minha pele, eu sou uma deusa, eu sou uma rainha", dizem os versos. Ao som de Who You Are, single do primeiro disco da cantora, Jessie falou ainda sobre saúde mental e cantou pedindo para os fãs repetirem: "Tudo bem não estar bem"

Penúltima apresentação da noite, a Dave Matthews Band fez um show protocolar no Palco Mundo, com sucessos como So Much To Say e Crash Into Me, do álbum Crash, de 1996, na lista de álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

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