A Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL) abre na nesta quinta-feira (13), às 20h30, no Teatro Ouro Verde, a Temporada Ouro Verde 2025 com um concerto que homenageia quatro grandes nomes da música clássica: Mikhail Glinka, Gustav Mahler, E. Korngol e A. Dvorak.

O concerto será regido pelo maestro Rossini Parucci, diretor artístico e regente titular da OSUEL, e contará com a participação especial do barítono mineiro Filipe Santos, premiado em diversos festivais de canto. Na sexta-feira (14), o concerto será reapresentado no mesmo horário. Os ingressos para as duas noites já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo site: osuel/pagtickets

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REPERTÓRIO CONTAGIANTE

O concerto começa com a energética abertura de "Ruslan e Ludmilla", de Glinka. Depois, com o barítono Filipe Santos, a orquestra apresenta "Lieder eines fahrenden Gesellen", de Mahler, um ciclo de canções emocionantes. Em seguida, será apresentada a ária "Mein Sehnen, Mein Wähnen", de Korngold, uma obra lírica e nostálgica.

A apresentação termina com a Sinfonia nº 9, "Do Novo Mundo", de Dvořák, uma obra que combina influências afro-americanas e indígenas com a tradição europeia, sendo uma das sinfonias mais populares da história.

O maestro Rossini Parucci rege a temporada de concertos Ouro Verde que tem início nesta quinta-feira (13)
O maestro Rossini Parucci rege a temporada de concertos Ouro Verde que tem início nesta quinta-feira (13) | Foto: Fábio Alcover/ Divulgação

CONCERTOS ITINERANTES

A Temporada Ouro Verde 2025 da OSUEL será de inovação e celebração da música clássica. Inspirada na tradição cafeeira, a temporada vai ter quatro séries principais: Arábica, Bourbon, Catuaí e Conilon - além da série Sumatra, dedicada à música de câmara.

Uma das novidades deste ano é o formato itinerante das séries Sumatra e Bourbon, que deixarão o Teatro Ouro Verde para alcançar novos públicos em apresentações especiais no campus universitário, nos bairros e em cidades vizinhas. A iniciativa reforça o compromisso da OSUEL em democratizar o acesso à música de concerto, levando a arte para espaços alternativos e públicos diversos.

Além disso, a temporada vai homenagear grandes nomes da música clássica, celebrando os 200 anos de Johann Strauss II, os 150 anos de Maurice Ravel e os 275 anos de Johann Sebastian Bach. Com uma programação rica e emocionante, a OSUEL quer embalar o público com diferentes estilos musicais que atravessam séculos.

O REPERTÓRIO

Mikhail Glinka

Abertura de Ruslan e Ludmila

Antes de Stravinsky, Tchaikovsky, Rimsky-Korsakov e Mussorgsky, havia Glinka. Considerado o precursor da música russa, ele é mais conhecido no Ocidente pela vibrante abertura de sua ópera Ruslan e Lyudmila. No entanto, suas maiores contribuições foram essa ópera (1842) e Uma Vida pelo Czar (1836), ambas impregnadas de elementos nacionais russos.

O sucesso dessa ópera abriu caminho para Ruslan e Lyudmila, baseada em Pushkin. Apesar da inovadora orquestração e elementos mágicos que influenciaram compositores como Rimsky-Korsakov e Stravinsky, sua complexidade estrutural e a popularidade da ópera italiana na época limitaram seu êxito. No entanto, sua abertura tornou-se um clássico do repertório orquestral.

Gustav Mahler

Canções de um Viajante

Gustav Mahler fez sua estreia impressionante em 1880 com Das klagende Lied (A Canção da Lamentação), inspirado em um conto sombrio de traição e fratricídio. Ele considerava essa obra o início de sua identidade musical. A partir daí, dedicou-se aos dois gêneros que definiriam sua produção madura: lieder (canções de arte) e sinfonias, que frequentemente se entrelaçavam. Um exemplo disso é o ciclo Lieder eines fahrenden Gesellen (Canções de um Viajante) e sua Primeira Sinfonia, ambos originados entre 1883 e 1888. Mahler revisou a sinfonia várias vezes e, na década de 1890, orquestrou a versão original das canções, escritas inicialmente para piano e voz.

O título Lieder eines fahrenden Gesellen refere-se a um "companheiro viajante", um profissional em aprendizado que ainda não alcançou a maestria. Mahler viveu essa jornada como regente, passando por Kassel, onde se apaixonou pela soprano Johanna Richter. O relacionamento infeliz inspirou seis poemas, dos quais quatro foram musicados. O ciclo reflete o impacto de um amor não correspondido, tema que também permeia a Primeira Sinfonia.

E. Korngol

Mein Sehnen, Mein Wähnen

Erich Wolfgang Korngold, um dos grandes compositores do final do Romantismo, construiu sua ópera Die tote Stadt(1920) com uma riqueza orquestral e melódica que ecoa a tradição de Mahler e Glinka. Dentro dessa obra, a ária Mein Sehnen, Mein Wähnen se destaca como um momento de delicada introspecção e nostalgia, refletindo a profundidade emocional que Korngold imprime em sua música.

A ópera, baseada no romance Bruges-la-Morte, de Georges Rodenbach, explora o luto e a obsessão. A ária é cantada pelo personagem Pierrot (Fritz) e transmite um lirismo melancólico.

A melodia flutua suavemente sobre harmonias que alternam entre doçura e melancolia, reforçando o caráter nostálgico da ária. Assim como Glinka introduziu elementos nacionais em suas óperas e Mahler usou o folclore em suas canções, Korngold combina a tradição operística vienense com um lirismo cinematográfico que antecipa sua futura influência no cinema de Hollywood.

O barítono Filipe Santos, de Minas Gerais, terá participação especial no concerto da Osuel
O barítono Filipe Santos, de Minas Gerais, terá participação especial no concerto da Osuel | Foto: Divulgação

A. Dvorak

Sinfonia nº 9 “Do Novo Mundo”

A Sinfonia nº 9 em Mi Menor, conhecida como Do Novo Mundo, tornou-se uma das obras mais amadas da música clássica. Curiosamente, sua influência foi tão profunda na cultura americana que muitos a reconheciam sem sequer tê-la ouvido. Escrita por Antonín Dvorak entre 1892 e 1893, durante sua estadia nos Estados Unidos, a sinfonia nasceu do desejo de criar um estilo musical americano, incentivado por Jeannette Thurber, fundadora do Conservatório Nacional de Nova York.

A sinfonia é marcada por melodias inesquecíveis e por um lirismo que muitas vezes se sobrepõe ao desenvolvimento sinfônico tradicional. O segundo movimento (Largo), com seu famoso solo de corne inglês, evoca a melancolia dos espirituais negros, mas também carrega um refinamento harmônico típico da música europeia. A melodia foi posteriormente transformada na canção Goin’ Home, reforçando sua conexão emocional com o público americano. Combinando a tradição europeia com elementos americanos, a Sinfonia do Novo Mundo simboliza o diálogo entre culturas.

SERVIÇO:

Concerto da OSUEL - abertura da Temporada Ouro Verde 2025

Quando: quinta (13) e sexta-feira (14), às 20h30

Onde: Teatro Ouro Verde

Regente: Rossini Parucci

Solista: Filipe Santos (barítono)

Ingressos: osuel.pagtickets.com.br

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