Com que música eu vou...venho ou fico na minha só curtindo um som. Em tempos iPod, muita gente não esquenta a moringa com que roupa sairá de casa. Isso se tornou o de menos. Dúvida mesmo é escolher a trilha sonora do dia.
Antigamente, não era tão fácil carregar a coleção de música. Perguntem a quem já andou com um gravador a tiracolo, com uma pilha de fitas cassetes, ou um walkman na cintura. Eles vão lembrar do desgoto de ver a fita com todas as músicas da sua vida ser mastigada pelo cabeçote do aparelho, depois de ter ficado dias esperando a tal musiquinha preferida tocar norádio para poder gravar e, ainda assim, a gravação pegar a vinheta da emissora.
É, quem nunca andou com um gravador a tiracolo não sabe a dificuldade que era montar e armazenar uma seleção de músicas nem tem idéia do trabalhão que era reunir as músicas preferidas para tocar em um aparelho portátil.
Alguns anos bytes a frente, os modelos mais simplesinhos de iPods compilam uma discoteca.
Com essa capacidade gigabyte de armazenamento, o que será que o pessoal anda ouvindo por aí? A FOLHA saiu para conferir.
Estudante de pós-graduação em Didática de Línguas, em Genebra, na Suíça, Fabrício Decandio, 22 anos, ouve sempre no aparelho ''Attentat Verbal'', do Grand Corps Malade e outras músicas de países que visita.
''Apesar de gostar do iPod, ouço muito rádio porque, como viajo bastante e moro na Europa, a programação das emissoras ajuda a conhecer um pouco mais da cultura de cada país. As novas tecnologias são mais práticas e, durante o dia, posso ouvir somente as músicas que quero'', afirma Decandio.
Ele comenta que na Europa já existe uma preocupação com possíveis riscos à saúde provocados pela tecnologia.
Trezentas músicas gospel. É o que o estudante Luciano Bruno da Silva, 19 anos, leva no seu aparelho.
O rapaz prefere programar a seleção musical aleatoriamente para ter um efeito surpresa na execução das músicas.
Luciano diz que não usa o aparelho como um ''isolante social''. Tipo assim: para evitar conversa, coloca o headfone no ouvido. ''Ouço, principalmente, quando vou de um lugar ao outro. Só tenho músicas gospels armazenadas. São de vários estilos, desde rock à black music'', conta o rapaz.
Para a estudante de arquitetura Mylena Mascaranhas, 25 anos, as novas tecnologias fazem parte do dia-a-dia para armazenar matérias e, lógico, ouvir música também. Tem Tim Maia, Marisa Monte, Los Hermanos e o que o rádio não tem, na opinião da jovem: ''O mp3 não tem propaganda, como o rádio. Hoje em dia, não gosto da programação musical das emissoras''.
Para os que ficaram lá atrás no tempo do gravador a tiracolo e do walkman na cintura, e ainda não entraram de ouvidos na era iPod, resta um consolo: num futuro que pode ser amanhã mesmo, já que a cada segundo surgem novidades, a geração iPod será vista com curiosidade, e não vai ser difícil alguém perguntar: ''Hein, i-P-O-D!O que é isso?''

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