Foto de Maria do Socorro: registro da sensibilidadeA paisagem árida e sofrida de Limoeiro do Norte (CE) - ‘‘uma pequena cidade que estala no ventre quente do Nordeste’’ - despertou na jovem Maria do Socorro Faheina Oliveira, então na década de 70, a sensibilidade para a fotografia. Passeando de bicicleta com uma Olympus trip-35 em punho, ela registrava as imagens da caatinga. Durante quase duas décadas a fotografia esteve presente na sua vida enquanto se dedicava a outras atividades, como a faculdade de Letras e o trabalho como funcionária do Banco do Brasil.
Hoje, aos 48 anos, aposentada, a fotografia ocupa um espaço maior no seu dia-a-dia. Tanto que irá realizar a sua primeira exposição individual a partir de amanhã, em Londrina. Ela afirma que foi por insistência de amigos e pessoas que conheceram o seu trabalho que decidiu expor 40 fotos na Aliança Francesa (Rua Paranaguá, 406), onde estuda francês. A mostra pode ser vista até o dia 26.
A paisagem nordestina, segundo Maria do Socorro, foi fundamental para ensiná-la a observar e captar aquilo que seus olhos não viam, normalmente. Ela conta que ver a aridez da terra e sua transformação com a chegada da chuva era um exercício muito rico para a sensibilidade:‘‘Foi assim que aprendi a descobrir a beleza nas coisas simples’’, afirma. E as fotos de Maria de Socorro sempre captam o que há de mais belo e simples em um objeto, uma situação, uma paisagem.
Algumas das fotos da mostra foram tiradas em uma das viagens que fez ao Sul da França para estudar a língua. Lá ela também registrou detalhes aparentemente simples. As floreiras em uma rua da cidade de Tavel são pequenas belezas que merecem um registro especial. Já o aqueduto Pont du Gard chamou a atenção de Maria do Socorro pelo seu tamanho - 49 metros de altura e 275 metros de comprimento. A obra, segundo a fotógrafa, foi edificada entre os anos 40 e 60 para levar água de Uzés a Nimes. A cidade de Gordes encravada em uma montanha atrai a fotógrafa pela ausência de cores. ‘‘Nenhuma construção recebeu tinta’’, afirma.
Pelo mundo Viajar também faz parte da vida de Maria do Socorro, que já conheceu várias partes do Brasil e do Exterior. Em Barcelona, uma revoada de pássaros em frente à igreja Sagrada Família é registrada pela fotógrafa. No Canadá a atenção é para o Rio São Lourenço e suas mais de mil ilhas, que comportam a construção de apenas uma casa.
Maria do Socorro não fez curso específico de foto e suas pequenas belezas são realizadas com uma câmera Pentax ME, sem grandes recursos. ‘‘Fotografar é uma arte que me seduz assim como a música. Não preciso de palavras para me comunicar. É uma maneira direta, muito forte para se expressar, mais que as palavras’’- define.
Ela conta que antes de lançar mão da câmera, costuma ‘‘fotografar com os olhos e o coração’’. ‘‘Antes de fotografar penso, sinto o ambiente, deixo-me influenciar pelo coração, pelos sons, odores e ambiente’’.
Postais Da paixão pelas fotos nasceu um outro projeto de Maria do Socorro: transformar Londrina em cartões postais. A idéia surgiu quando ela procurava um postal para mandar a um de seus correspondentes na França. ‘‘Não encontrei nada que estivesse à altura da beleza de nossa cidade’’, afirma.
Maria do Socorro então fotografou alguns pontos da cidade e, com papel importado de diversas tonalidades, fez os cartões que considerava à altura de Londrina. A idéia inicial era utilizá-los para suas correspondências, mas os amigos não deixaram: ‘‘Todo mundo que via os cartões adorava’’, comenta Maria do Socorro. Para atender a pedidos ela resolveu ampliar o número de cartões, que hoje chega a 150, e comercializá-los. Londrina está sendo fotografada por Maria do Socorro, em seus pontos mais belos: UEL, Lago Igapó, Zerão, Parque Arthur Thomas e outros.
Há também cartões com paisagens da França, Chile, Canadá e de outros lugares do Exterior e do Brasil. Detalhe: os cartões são feitos artesanalmente. E em breve estarão à venda.

mockup