Marcelo AlmeidaBartenders:
disco que foi
lançado na
semana passada
começou a ser
preparado em
1994 e chega
maduro ao
mercadoUm som ‘‘setentista’’, com o velho e bom rock, tocado por gente que entende do assunto, com instrumentos de primeira e longa vivência dos palcos. Assim os músicos da banda Bartenders falam sobre o CD independente ‘‘Black Whiskey & Full Moon’’ - um rebento que chega maduro, profissionalíssimo e com participações de pesos pesados.
Os ilustres convidados: o bluesman André Christovam, Roberto Frejat, do ‘‘Barão Vermelho’’, Ivo Rodrigues, do ‘‘Blindagem’’, Carlos Alberto Calazans, do ‘‘Camisa de Vênus’’, Paulo Branco do ‘‘Sotak’’ e Helena Theodorellos.
O disco foi apresentado ao público na terça-feira, com um show no Estação Plaza Show. Para o baixista Carlão Gaertner, que dividiu a produção com Luiz Carlini, este trabalho representa o encontro de amigos que têm uma mesma linguagem. A maneira como foram sendo encaixadas as peças, na arte do ‘‘encontro, casualidade e sincronicidade’’ dá margem para uma longa história com início em 1994 até chegar ao lançamento em 97.
A amizade entre os músicos ajudou para que o Bartenders chegasse ao CD. Carlini (ex-‘‘Tutti Fruti’’, de Rita Lee, e ‘‘Camisa de Vênus’’) é quem conta:
- Quando falei em produzir o disco, não tínhamos nenhum recurso. Para vir a Curitiba (ele mora em São Paulo, vizinho de André Christovam) não sei quantas passagens desmembrei; e quantos ônibus tomei. Começamos a gravar em 95 e só terminamos agora. Por ter sido feito dessa maneira, sem pressão de gravadora, fomos criando aquilo que realmente queríamos. Este é um disco que levantamos com o tempo.
Sonoridade própriaCarlão Gaertner afirma que a Bartenders ‘‘tem sonoridade própria, não é som de FM’’. André Christovam emenda: ‘‘Quando ouvi o som deles, me senti à vontade para tocar’’. Acontece que a banda tem personalidade definida - ela sabe o que quer e para que veio. Os músicos são assumidamente ‘‘setentistas’’, sem que isso queira dizer que estejam ultrapassados. É uma questão de qualidade.
Christovam acha ‘‘patética’’ a tendência da garotada em se espelhar nos grandes instrumentistas e se candidatarem a covers dos ídolos. Como aqui não tem estreantes, a conversa é outra. ‘‘Ainda bem que caminhamos na contramão’’, diz o baterista Franklin Paollilo, outro paulistano a integrar o grupo. Também ele vem de formações importantes como o ‘‘Tutti Fruti’’.
‘‘O principal desse trabalho foi a honestidade do objetivo. Nosso lance não é ficar discutindo o que vai ser sucesso. O ‘Bartenders’ é uma confluência de gostos, vidas e por isso todos embarcaram no projeto. Estou orgulhoso de ter participado do disco’’.
O vocalista Ricardo Moura é categórico: ‘‘Black Whiskey & Full Moon’’ traz de volta ‘‘o poder do rock que estava escondido’’. Luiz Carlini acredita que esteja nascendo com este disco ‘‘um clássico, tanto pelas pessoas envolvidas quanto pelo amor com que o fizemos’’.

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