Gal Oppido/DivulgaçãoGisela Arantes vai percorrer o Brasil com uma nova temporada do espetáculo que será mostrado em LisboaA escolha do tema ‘‘Os Oceanos, um Patrimônio para o Futuro’’ para a Expo-98, não poderia ter sido mais feliz para a atriz paulista Gisela Arantes, uma das convidadas do evento.
A Expo-98, badalada com o slogan ‘‘a última exposição mundial do milênio’’, reunirá artistas, cientistas e pensadores com o objetivo de incluir Portugal no mapa da cultura internacional.
Gisela, a peixinha do programa da Rede Cultura Glub Glub, vai participar do dia brasileiro da festa (13 de junho) com o espetáculo Náufrago / A Imagem do Azul ao lado de representantes de outras áreas como Fernanda Abreu (música), Grupo Corpo (dança) e Antônio Nóbrega (performance).
Náufrago, de autoria da própria atriz, é o único espetáculo teatral da caravana brasileira que vai contar ainda com personalidades como Caetano Veloso e Marisa Monte distribuídos nos demais dias do evento. A peça foi inspirada num fato verídico ocorrido na década de 50 e conta a história do marinheiro que naufragou e passou dez dias numa balsa salva-vidas, sem comer ou beber, e conseguiu se salvar chegando a sua terra natal.
A história já foi assunto de um livro-reportagem do escritor Gabriel Garcia Marquez. A montagem, que sofreu alterações desde sua primeira temporada há dois anos, despertou o interesse dos organizadores da Expo pela afinidade do tema. ‘‘A peça é toda referenciada em simbolismos’’ - disse a atriz, por telefone. ‘‘Procuro ressaltar a universalidade das situações e sentimentos vividos pelo marujo mostrando que o temas das águas, o ambiente do mar e do porto, do homem sozinho diante dos desafios e da ultrapassagem de seus próprios limites transcende diferenças culturais de povos e países’’.
Náufrago estreou em 96 na Escola do Mar de Amyr Klink, em Paraty (Rio) com apresentações posteriores nas Casas de Cultura da Prefeitura de São Paulo e no Teatro Cultura Inglesa da capital paulista. No espetáculo, Gisela é dirigida por Maurício Paroni de Castro, brasileiro que vive há dez anos na Itália. Para a nova versão, Gisela mexeu no texto e acatou sugestões do diretor que convidou dois artistas plásticos e músicos italianos para recriarem o cenário e a trilha sonora do espetáculo.
‘‘Fiz brincadeiras linguísticas no texto’’ - conta ela. ‘‘Para caracterizar ainda mais o universalismo acrescentei o inglês, o espanhol e o português falado em Portugal’’. A atriz planeja percorrer o Brasil com uma nova temporada do espetáculo logo após a apresentação na Expo. Até lá, toca novos projetos ligados ao teatro infantil como as peças João e o Pé de Feijão, com estréia marcada para este mês, e A Pequena Sereia, prevista para chegar aos palcos no segundo semestre do ano.

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