Com o lápis na mão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 1997
Nelson Sato 
Está aberta a temporada de caça aos futuros talentos da HQ paranaense. O anúncio do lançamento de uma revista, a abertura de um ateliê para agrupar novos criadores e a realização de cursos para roteiristas e desenhistas agitam os fissurados em quadrinhos nas duas maiores cidades do Estado.
Em Londrina, o professor de desenho artístico Carlos Egon conclama os ilustradores e escritores locais a darem as caras no ateliê Traço a Traço, onde um grupo de frequentadores dá os retoques finais em uma história de ficção científica prometida para chegar aos leitores até o final do ano em forma de publicação mensal.
Em Curitiba, dois cursos introdutórios colocam a garotada nas salas tirando lápis e idéias das gavetas. Amanhã acontece o curso Roteiro para Quadrinhos, sob coordenação de Gian Danton, na Gibiteca do Solar do Barão. Já na segunda-feira começa a IV Oficina de Histórias em Quadrinhos na Gibiteca da Biblioteca Pública do Paraná, também comandada por Gian Danton, dessa vez em parceria com Antonio Éder.
Gibitecas No Brasil, o que desanima os quadrinhistas é a falta de incentivo. Falta dinheiro, mas falta também estímulo. O que a gente está querendo é justamente reunir a galera daqui e criar uma equipe legal de criação - diz Egon.
Ele é responsável pelo departamento de artes gráficas do centro cultural Ciclo Brasil, uma entidade fundada no começo do ano que junta artistas de variadas áreas como teatro, música e dança de Londrina. Com uma sala à disposição no Centro, ele montou um curso de desenho artístico e transformou o local em ponto de encontro da turma.
Um dos frequentadores é o escritor Juliano B. Alves, de 19 anos, que lançou há poucas semanas o romance Tempos Futuros. Estamos concluindo uma saga interplanetária para a revista. Depois vamos batalhar patrocínio - anunciam. Em Curitiba, as turmas ligadas em quadrinhos se cruzam nas gibitecas, que além de possuírem acervos de revistas contam com uma programação de eventos o ano inteiro.
Sem crédito O curso de roteirista, que será realizado amanhã na Gibiteca da Biblioteca Pública, vai abordar temas como tipos de narrativa e criação de ambientação e personagens. Para o professor do curso, Gian Danton, uma história com desenho bonito pode ser chamativa, mas é o roteiro que irá cativar o leitor.
Ele lembra que até a editora Image (terceira maior editora dos Estados Unidos), criada com a proposta de aglutinar os principais nomes da ilustração de quadrinhos, passou a recrutar craques do roteiro como Alan Moore e Frank Miller.
Mais recentemente, ainda segundo ele, o escritor britânico Garth Ennis derrubou em vendagens os gibis dos X-Men com a aclamada revista O Soldado Desconhecido. Ele esgotou a tiragem na primeira semana de lançamento. Isso demonstra, que, no final, o leitor quer mesmo é ler uma boa história - argumenta.
Etapa Danton foi um dos participantes da edição especial com autores nacionais da revista Heavy Metal, lançada no ano passado. Ele assinou a história Siren em parceria com o desenhista Bené Nascimento, mas inexplicavelmente seu nome acabou omitido nos créditos.
Depois do curso para roteiristas, ele volta a empunhar apostila na semana que vem, dessa vez na Gibiteca da Biblioteca Pública onde vai ministrar uma oficina de história em quadrinhos ao lado de Antônio Eder. A Oficina começa segunda-feira e termina no dia 20, com uma segunda etapa prevista para ser realizada no mês de outubro.


