Com o jeito da cidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 1997
Celina Alonso Az 
Maringá
Marcos NegriniPaula Machado apresenta o telejornal e um programa de debates no Canal 100Este ano a TV maringaense recebeu um estímulo na sua programação local. Quando a cidade completou 50 anos foi inaugurado o Canal Cem, a TV comunitária concedida para a Prefeitura, com uma postura educativa. Com o crescimento do público de televisão a cabo - cerca de 13 mil assinantes - o Canal 16, que há três anos faz uma programação totalmente local, melhorou sua audiência e já começa a se expandir. O sucesso da TV Cultura de São Paulo trouxe um aumento na audiência da RTV, canal 10 sua coligada em Maringá, que pode ser medida pelo alto índice durante a exibição do seu programa sertanejo e na transmissão da missa direto da Catedral.
As retransmissoras da Globo e SBT não mexeram muito na programação local que tem basicamente um telejornal e um ou outro programa de entrevistas feito em Maringá. A Rede Bandeirantes ampliou a programação local e tem diversos programas de comentaristas e colunistas. O carro-chefe de audiência da Bandeirantes entre os programas locais é o Pinga-Fogo na TV. Ele é apresentado pelo radialista Pinga-Fogo, líder em audiência porque comenta e polemiza fatos policiais e do dia-a-dia da região.
A TV Record passou a apresentar um jornal local diário com quase meia-hora. E, em novembro, vai pôr no ar o Note e Anote, regional comandado pelo colunista social Wal Barrionuevo, com uma hora diária de entrevistas e serviço.
A voz da cidade Se você quiser conhecer o espírito do maringaense é só ligar no Canal 16, a TV Cidade. Sua programação 100% local, 24 horas no ar, mostra como vive, trabalha e se diverte o maringaense. Seus programas, produções independentes, são muito variados e preenchem metade da programação e são reprisados na outra metade. Com exceção do telejornal, a maioria mostra empresas e empresários falando, animadamente, de seu negócio, os fatos sociais e festas de Maringá. Transmite as sessões da Câmara Municipal. Um dos mais assistidos são A Boca Maldita e Na Boca da Noite, de Diógenes Gomes. O primeiro mostra a reunião semanal de políticos e empresários e sua calorosa opinião colhida na rua. O outro é puro besteirol feito de paródias, humor local.
A primeira dama da TV maringaense é Mirna Lavecc que no Nossa Casa, gravado na casa dela, à beira da piscina, sempre reúne a nata maringaense em torno de um farto almoço com música e entrevistas completamente despojadas. Dizem que se alguém aparece no programa da Mirna, vira cidadão maringaense, comenta a gerente comercial Maria Aparecida Betati, da TV Cidade. Ela conta que recebe dezenas de telefonemas de gente pedindo para reprisar o programa só para poder se ver de novo na TV. E a gente sempre acaba reprisando, conta.
Em 98 deverá inaugurar um programa sobre tudo o que acontece na a Universidade Estadual de Maringá, movimentando a comunidade.
Maturidade A TV Canal Cem, canal 17 da TV por assinatura, ainda não consegue ter mais do que 40% da programação feita em Maringá, e o resto que exibe vem da TV Educativa do Rio de Janeiro. Mas uma produção totalmente local é um dos sonhos de seu diretor Ézio Ribeireti que comanda uma equipe versátil de jornalismo. A maioria dos experientes profissionais faz de tudo um pouco. A repórter Ana Paula Machado apresenta o telejornal, carro-chefe da emissora, e um programa de debates semanal. Com equipe de produção pequena, mas eficiente o Panorama mostra que o Canal Cem já começou com maturidade profissional, com postura jornalística séria e debates importantes para a vida da cidade. Queria fazer toda a programação local, mas ainda é inviável financeiramente a não ser que façamos parcerias. Já estamos cansados da TV massificante, de ter de engolir todo aquele carioquês da Globo. Queremos uma tevê com a nossa cara, diz o diretor do Canal Cem que sonha em produzir programas locais para levar para todas as salas de aula das escolas da Prefeitura.


