O compositor de música erudita brasileira Henrique Morozowicz, ou Henrique de Curitiba como costuma assinar suas partituras, será o destaque do repertório de apresentação da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel), amanhã, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. Serão tocadas três peças suas: Sonatina para Flauta, Fanfarra para Instrumentos de Metal e Elegia para Orquestra de Cordas.
A homenagem tem um tom familiar já que o regente da orquestra, Norton Morozowicz é irmão de Henrique. Outra curiosidade é que o compositor estará completando 65 anos amanhã. Esta é a segunda apresentação, de uma série de três, em que os compositores estarão presentes na execução de suas peças.
Marcos Borges/Arquivo FolhaOrquestra Sinfônica da UEL: apresentação de amanhã conta com três peças de Henrique MorozowiczTrazê-los para os concertos da orquestra é um dos projetos que estão sendo desenvolvidos pela Sociedade dos Amigos da Osuel, visando o seu aprimoramento. ‘‘É muito importante para os músicos este contato com os compositores’’, afirma Norton Morozowicz. ‘‘E para o público também, que vai poder ver o autor.’’
Segundo Norton, esta é ainda uma forma de homenagear o compositor, que normalmente é marginalizado. ‘‘Só se fazem homenagens depois que eles morrem. Queremos homenageá-los enquanto estão aí, vivos e produzindo’’, afirma. Giovanni Luisi foi o primeiro convidado e, em setembro, será a vez de Edino Kruiger.
Henrique Morozowicz trocou Curitiba, onde nasceu, por Londrina há um ano, após se aposentar pela Universidade Federal do Paraná. Afastado das atividades acadêmicas ele se dedica, agora, apenas à música. Henrique formou-se na década de 50 como pianista na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba.
Depois de formado foi para São Paulo estudar na Escola Livre de Música, onde foi aluno de Joachim Koellreuter, um músico que, apesar da origem alemã, é considerado uma espécie de ‘‘divisor de águas’’ da música erudita brasileira, tendo exercido influência sobre toda uma geração de compositores do país.
Morando em São Paulo, o brasileiro foi aprimorar seus conhecimentos no exterior, com uma temporada de estudos na Escola Superior de Música de Varsóvia, ainda na década de 50. Nos anos 70, ele fez o seu mestrado na Cornell University onde teve como orientador o tcheco Karel Husa, ganhador de um Prêmio Pulitzer.
Com a carreira consolidada, as obras de Henrique foram gravadas por vários músicos. E ele considera que sua obra é bastante acessível. ‘‘A partir de Villa-Lobos, os brasileiros criaram um idioma próprio para a nossa música. Me preocupo em fazer uma obra expressiva e que, ao mesmo tempo, tenha uma certa naturalidade no uso de ritmos e constâncias melódicas desse idioma musical brasileiro’’, diz. A seguir a entrevista que Henrique Morozowicz concedeu à Folha2.


Com um currículo que inclui estudos no exterior, porque só depois de se aposentar você resolveu dedicar-se exclusivamente a compor?
O compositor de música erudita não consegue sobreviver só de compor, 90% se dedicam à vida acadêmica. Esta realidade não se restringe ao Brasil, mas a quase todo o mundo. O universo da música erudita é bem restrito. O compositor ganha os royalties da indústria fonográfica, mas se comparado aos discos de música popular, os discos de música erudita têm uma tiragem infinitamente menor.
No exterior o compositor de música erudita vive esta realidade, também?
Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, existe o que chamamos de comissionamento, que consiste em encomendar obras aos compositores. No Brasil esta prática é pouco imitada. Quem mais encomenda obras é a Funart. Ou então as encomendas são feitas na base da amizade. Um amigo pede ao compositor para fazer uma obra, mas sem patrocínio, só com tapinhas nas costas.

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