Com muitas honras, mas sem surpresas
Elza Soares, Hebe Camargo e Rita Lee garantem melhores momentos do Sharp
Adriana Ferreira
Agência Estado

Reprodução
Elza Soares: emoção ao receber o prêmio de melhor cantora de sambaUma noite sem muitas surpresas marcou a entrega do 11º Prêmio Sharp de Música e o 4º Prêmio Sharp de Teatro que tiveram como homenageados Jackson do Pandeiro e o ator Paulo Autran. Duas mulheres, no entanto, garantiram momentos ímpares na festa, realizada no Teatro Municipal do Rio, na quarta-feira: uma emocionada Elza Soares, que recebeu o prêmio de melhor cantora na categoria samba, e Hebe Camargo, que apresentou o prêmio com total descontração, como se estivesse em seu programa.
Antes da entrada de Paulo Autran no palco, alguns amigos deram seu depoimento sobre o ator. Tônia Carrero, claro, não faltou. Irene Ravache, Karin Rodrigues, Marília Pera, Eva Wilma e Antônio Fagundes completaram o time. Foram declarações carinhosas e derramadas. Aplaudido de pé por um teatro municipal lotado, Paulo Autran fez questão de agradecer, sempre com palavras gentis, a cada um dos amigos.
A peça ‘‘Diário de um Louco’’ ganhou os prêmios de melhor espetáculo e de melhor ator (Diogo Vilela). Mas a grande torcida foi para ‘‘Tuhu - O Menino Villa-Lobos’’, que arrancou gritinhos da platéia. Para Diogo Vilela, ganhar o Sharp foi uma ‘‘consagração’’. ‘‘É o quinto prêmio, estou muito feliz.’’
A noite de Jackson do Pandeiro, que morreu em julho de 1982, começou com uma ótima apresentação da ‘‘Orquestra de Pandeiros Pandemônio’’, composta por 15 músicos. Hebe Camargo, em um vestido preto todo transparente, chamou ao palco Geraldo Lopes, irmão de Jackson para receber a estatueta. A partir daí as premiações foram intercaladas com as apresentações de músicas do homenageado.
As composições de Jackson do Pandeiro receberam a interpretação de duplas como Paulinho Moska/Cássia Eller; Margareth Menezes/Lenine; Gilberto Gil e Ivete Sangalo; Elza Soares/Miltinho, em uma apresentação que foi aplaudida de pé; Daniela Mercury/Alceu Valença e Genival Lacerda/Jovelina Pérola Negra mais a participação do grupo ‘‘Cascabulho’’. O espetáculo terminou com Almira Castilho, acompanhada de todos os outros artistas, e o palco invadido por bonecos gigantes típicos do Carnaval de Recife.
Hebe Camargo, que brincou dizendo que quer voltar a apresentar o Sharp no ano que vem, não deixava nenhum premiado sair do palco sem receber - e dar - três beijinhos: ‘‘É para casar’’, assegurava.
Elza Soares chorou ao receber o prêmio de melhor cantora na categoria samba. Foi a única a quebrar a regra, quando decidiu falar. ‘‘Queria oferecer esse prêmio para os meus amigos, meu produtor e para meu filho, que está lá em cima’’, disse se referindo ao filho que teve com o jogador Garrincha e que, ainda menino, morreu em um acidente de carro.
Rita Lee, a homenageada do Prêmio Sharp de Música do ano passado, ficou surpresa ao ser escolhida como a melhor cantora na categoria pop/rock. ‘‘Foi completamente inesperado’’, confessou. A cantora, que competia com Cássia Eller e Daúde, disse que se sentiu ‘‘Lauren Bacall no meio das novatas’’. Ela, que afirmou admirar o jeito ‘‘gaiato’’ de Jackson do Pandeiro, deu mais um toque bem-humorado à festa: subiu ao palco usando um nariz de ratinho.
Confira a relação dos vencedores do Prêmio Sharp:
MPB - disco: ‘‘Caymmi Inédito’’; música: ‘‘A Ponte’’, de Lenine e Lula Queiroga; cantor: Milton Nascimento; cantora: Gal Costa; grupo: Boca Livre; revelação: Lenine.
Pop/Rock - disco: ‘‘Por Onde Andará Stephen Fry?’’, de Zeca Baleiro; música: ‘‘Bandeira’’, de Zeca Baleiro; cantor: Ed Motta; cantora: Rita Lee; grupo: Titãs; revelação: Zeca Baleiro.
Samba - disco: ‘Bebadachama’’, de Paulinho da Viola; música: ‘‘Chão de Esmeraldas’’, de Chico Buarque e Hermínio Bello de Carvalho; cantor: Paulinho da Viola; cantora: Elza Soares; evelação: Wilson das Neves.
Regional - disco: ‘‘Dominguinhos e Convidados Cantam Luiz Gonzaga’’; música: ‘‘Nóis É Jeca mas É Jóia’’, de Juraildes da Luz; cantor: Alceu Valença; cantora: Inezita Barroso; grupo: Timbalada; dupla: Zé Mulato e Cassiano; revelação: Milton Edilberto
Teatro - espetáculo: ‘‘Diário de um Louco’’; direção: Gilberto Gawronski e Hélio Dias (‘‘Dama da Noite’’); ator: Diogo Vilela (‘‘Diário de um Louco’’); atriz: Cláudia Abreu (‘‘Noite de Reis’’); autor: Maria Adelaide Amaral (‘‘Para Sempre’’); cenografia: Felippe Crescenti (‘‘Salom钒); figurino: Daniela Thomas e Verônica Julian (‘‘Don Juan’’); iluminação: Aurélio de Simoni (‘‘Don Juan’’)

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