Com grooves no mangue
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Nelson Sato 
A exaurida mistura de ritmos musicais, que foi quase uma imposição mercadológica ao pop nacional há quatro anos, já fez a peneirada. Entre ousados de um lado e oportunistas de outro, muitos representantes trocaram de estilo enquanto outros renovaram suas influências.
O movimento mangue beat, um dos propulsores das fusões sonoras, prospera em larga escala mesmo após a perda de Chico Science. O grupo recifense mundo livre s/a (a grafia é em minúsculas mesmo), liderado pelo vocalista Fred Zero Quatro, é um dos que reinventam o sotaque híbrido levando adiante suas peculiares combinações de samba, rock, funk e - agora - pop eletrônico.
O grupo está lançando seu terceiro álbum esta semana pela nova gravadora Abril Music. Intitulado Carnaval na Obra, o disco chega às lojas com um ano de atraso devido às arrastadas negociações que envolveram o grupo e seu desligamento do selo Excelente.
De cara, o álbum chama a atenção nos créditos pela participação de quatro produtores no trabalho: Bid (que comandou as gravações de dois discos da Nação Zumbi), Edu K. (o malucão que retornou recentemente para os vocais da banda gaúcha De Falla), Apollo 9 (que já havia produzido uma faixa no álbum de estréia do mundo livre) e Carlos Eduardo Miranda (padrinho da banda).
Musicalmente, Carnaval na Obra dá continuidade à estética dos dois álbuns anteriores privilegiando levadas funk de clima setentista. Quem tem groove tem tudo, diz o verso de uma das letras. Atento às atuais tendências eletrônicas, o grupo incursiona pelo drumnbass em Maroca mesclando-o com referências a Jorge Ben Jor.
Na base, o pandeiro e o cavaquinho asseguram a originalidade da banda cujo alto prestígio entre a crítica corresponde à baixa inserção entre o grande público. A seguir, leia entrevista com Fred Zero Quatro.
Por que vocês decidiram convidar quatro produtores para trabalhar no disco?


