Benedito Ruy Barbosa exibiu as primeiras cenas de ''Paraíso'', em março, prometendo que não toleraria que seu trabalho mantivesse os baixos índices de audiência que o horário das 18 horas vinha registrando. Agora, cinco meses depois, o autor não só aumentou a média do Ibope em cerca de 50% como também garantiu, no total, um mês a mais de capítulos da história no ar. A previsão inicial era que a trama acabasse no início de setembro. Depois, a data do último capítulo foi fixada em 25 do mesmo mês. E agora, depois que a novela ultrapassou a marca dos 30 pontos de média e passou a garantir picos acima desse número, a estreia de ''Cama de Gato'', sua substituta, foi adiada para 5 de outubro. Mais trabalho para Benedito, mas que chega com o reconhecimento de que, depois de dois anos de lamentações nessa faixa, o clássico horário das seis voltou a trazer alegrias. Algo que não acontecia desde o fim de ''O Profeta'', em maio de 2007.
A pouco mais de um mês de seu término, ''Paraíso'' é a prova de que efeitos especiais de última geração e temas polêmicos não são suficientes para garantir a atenção do público. Ou, melhor, sem uma boa história, nada funciona. Os dramas da mocinha Maria Rita, desde a vida de noviça à transição para jovem contemporânea, são críveis na interpretação madura da quase novata Nathália Dill. Em seu segundo trabalho na tevê, a atriz em nada deixa a desejar.
Além disso, todo o elenco, sem exceção, parece afinado. Ponto para eles e também para o diretor geral Rogério Gomes, o Papinha. ''Cria'' de Jorge Fernando e Ricardo Waddington na emissora, Papinha se mostra cada vez mais seguro em sua segunda direção de núcleo.
Benedito Ruy Barbosa tem fôlego de sobra para esticar ''Paraíso''. Pelas mãos das filhas Edmara e Edilene Barbosa, o autor conta com uma nova mocinha, que trocou o convento por uma vida normal. Figurino, penteado, gestual, enfim, tudo mudou em sua Santinha, cada vez mais determinada a deixar os ares angelicais para trás. E, com a aproximação da jovem com o forasteiro Otávio, de Guilherme Winter, um novo triângulo amoroso se forma.
Não bastasse o novo gás para as cenas com os mocinhos, a novela parece ter ganhado outro casal de protagonistas em sua nova fase. Os encontros e desencontros de Rosinha e Terêncio, de Vanessa Giácomo e Alexandre Nero, muitas vezes chamam mais atenção do que o resto da história. Um espaço conquistado aos poucos por seus intérpretes.
A única coisa que destoa dentro de tanto equilíbrio é o excesso de mensagens que, teoricamente, beneficiam a população. Muitas vezes, no mesmo capítulo, é possível ouvir sobre cooperativismo rural, preservação ambiental, sintomas da gripe A, mais conhecida como gripe suína, entre outros. Mas quase sempre de maneira exagerada e, por isso, cansativa. É indiscutível a função social de uma novela. Mas quando um assunto é tratado de forma repetitiva, corre-se o risco de não cumprir seu dever de informar. E ainda dispersar a atenção de quem assiste.

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