Com cheiro de naftalina
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de janeiro de 2012
Márcio Maio <br> <br> TV Press 
As tentativas de revitalizar a teledramaturgia do SBT não param. Mas a emissora insiste em repetir um comportamento que, até agora, ainda não se mostrou eficaz na produção de novelas. Para substituir ''Amor e Revolução'', que teve suas gravações encerradas em agosto do ano passado, o canal de Sílvio Santos ''limpou a poeira'' e desengavetou ''Corações Feridos'', folhetim escrito pela sua mulher Íris Abravanel e finalizado em dezembro de 2010.
Tempo suficiente até para que dois dos principais nomes da novela assinassem com a Globo, assumindo curiosamente papéis próximos nos dois projetos. ''Não posso falar sobre isso. Foi um trabalho realizado há mais de um ano e já deveria ter sido exibido. Agora estou em outra empresa'', desconversa Cynthia Falabella, que é vista atualmente como a malvada Estela de ''Aquele Beijo'' e viveu a vilã Aline em ''Corações Feridos''.
Além dela, Victor Pecoraro também marca presença nos dois folhetins. Em ''Aquele Beijo'', vive o antagonista Rubinho. Já no SBT, encarnou o inseguro Vitor. Os dois são herdeiros de famílias ricas que se apaixonam por mulheres simples e são mimados pela mãe.
Dirigida por Del Rangel, ''Corações Feridos'' é uma adaptação do original mexicano ''La Mentira'', de Caridad Bravo Adams. Ela conta a história de vingança do mocinho Eduardo, vivido por Flávio Tolezani. Tudo porque seu irmão, o fazendeiro Rodrigo, de Paulo Zulu, se mata depois de se apaixonar e ser enganado pela interesseira Aline. Como Eduardo só sabe a inicial da mulher que prejudicou o irmão, Aline o convence de que a malvada é sua prima Amanda, de Patrícia Barros.
Eduardo, então, se casa com a mocinha Amanda disposto a infernizar sua vida. ''Nosso povo é muito parecido com o mexicano. Lidamos com problemas similares de governo, corrupção, violência, trânsito e analfabetismo. A maior dificuldade foi acrescentar o senso de humor que o brasileiro mantém mesmo nas situações dramáticas'', avalia Íris Abravanel, que escreve atualmente sua quarta novela, a adaptação nacional do folhetim infantil ''Carrossel''.
Ritmo industrial
Programada para ter cerca de 100 capítulos, ''Corações Feridos'' contou com investimento de R$ 18 milhões, o que dá uma média de R$ 180 mil por episódio. Sem cidade cenográfica, a maioria das cenas foi gravada em estúdio. Além de tomadas rurais em fazendas e haras do interior de São Paulo e outras sequências externas em Santana do Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo. ''Passávamos dois, três dias em locações no interior e, depois, voltávamos para o estúdio. Gravamos sem parar'', recorda Patrícia Barros.
Produzida em ritmo industrial, de segunda a sábado e cumprindo os prazos dos contratos da equipe, que venciam em dezembro de 2010, ''Corações Feridos'' foi planejada para ser exibida às 22h15, mesmo horário de ''Amor e Revolução''. Mas a emissora decidiu reprogramá-la para 20h30. Uma troca que pode afetar determinadas sequências com temáticas mais densas.
Por exemplo, o alcoolismo e o tráfico e consumo de drogas ilícitas, que são abordados em diferentes núcleos. ''A novela é bem ágil, tem poucos personagens, sem espaço para barriga. E as maldades da vilã Aline são bem fortes. Não sei se precisarão editar o material para exibirem mais cedo'', explica Jacqueline Dalabona, que interpreta a ricaça Vera, mãe de Vitor e mulher que criou Aline e Amanda. Ela, aliás, é quem mais ajuda Aline em casa, sem perceber que, na verdade, está sendo manipulada.
Risco maior
A expectativa do elenco para assistir aos capítulos de ''Corações Feridos'' parece já ter sido maior. ''Na época em que fazíamos, acreditávamos que estávamos trabalhando em um projeto que iria levantar de vez a teledramaturgia do SBT. Hoje, depois de mais de um ano de concluídas, tem várias cenas que nem lembro que fiz'', lamenta Jacqueline.
Victor Pecoraro prefere se concentrar em ''Aquele Beijo'', que está gravando agora. ''Ali eu gravava muitas cenas por dia, não tinha tanto tempo para me dedicar. Agora eu consigo trabalhar melhor as minhas atuações. Aprendi muito no SBT, mas hoje minha atenção está no presente'', afirma.
Já para Flávio Tolezani, que encara sua primeira novela - o ator só fez uma participação especial em ''A Favorita'', na Globo -, há vantagens em gravar uma novela inteira antes que ela seja exibida. ''Isso nos deu a liberdade de fazer tudo como havíamos pensado. Assim também é gostoso: o risco é maior, mas o resultado pode ser melhor'', supõe.
Serviço:
Corações Feridos - De segunda a sexta, às 20h30, no SBT


