No inconstante mercado editorial brasileiro, as revistas destinadas à literatura são poucas e se mantém na ativa graças ao trabalho hercúleo de seus editores. Coletâneas de contos são um pouco menos escassas nas prateleiras, e geralmente são dedicadas a temas fechados ou a autores específicos.
A revista Arte E Letra - Estórias agrega características destes dois formatos. Dedicada a publicar contos, ela tem aparência de livro, com lombada quadrada e impressão em papel pólem, no entanto sua diagramação apresenta linguagem de revista, com textos dispostos de uma maneira leve e visualmente atrativa, intercalados com ricas ilustrações, criadas por um artista convidado especialmente para a edição.
Publicada trimestralmente pela editora de mesmo nome -Arte E Letra, de Curitiba-, a revista chegou a sua segunda edição há poucas semanas, reunindo autores como David Foster Wallace, Luigi Pirandello, Machado de Assis, G.K. Chesterton, Leopoldo Alas, o pontagrossense Miguel Sanches Neto, entre outros.
''Pra nós, a grande cereja do bolo desta edição é o J.M. Coetzee, sul-africano Nobel de literatura, considerado um dos grandes escritores contemporâneos'', empolga-se Thiago Tizzot, que edita a revista em parceria com I.B. Neto. ''Este texto nunca saiu em formato de livro. Conseguimos achar, foi uma negociação complicada mas insistimos até conseguir'', relata.
Na edição anterior, as páginas traziam um texto inédito no Brasil de Stephen King (tratando justamente da sobrevivência das revistas de contos), José Saramago (o discurso que proferiu quando recebeu o Nobel), o curitibano Cristóvão Tezza (conto recente e inédito), Eça de Queirós, Judith Hermann, entre outros.
Segundo Thiago, a idéia da revista surgiu de uma necessidade que ele tinha quando abriu a livraria da editora, localizada no subsolo do Lucca Café, no bairro Batel. ''Fiz uma pesquisa para levantar títulos e autores que eu queria vender. Comecei a ver que muitos trabalhos importantes estavam fora de catálogo, esgotados ou inéditos no Brasil''. concluiu.
''A primeira idéia foi publicar livros, mas é complicado pois o investimento é grande, e a nossa agilidade em publicar era pequena por causa da estrutura da editora. Até que chegamos no formato da revista, que reúne contos, publicando os trabalhos destes autores em um formato mais econômico e flexível'', comenta.
A seleção de textos contempla autores contemporâneos, de domínio público, brasileiros, estrangeiros e inéditos. Para o editor, a revista também tem o prropósito de revelar novos nomes, como foi o caso de João Vanwa, publicado no primeiro número. ''A gente espera que a revista possa ser um canal para o pessoal mostrar o trabalho, tanto escritores quanto tradutores e até mesmo os ilustradores, fotógrafos e demais artistas gráficos''.

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