Com baladas na bagagem
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Nelson Sato 
Baladas, baladas, baladas. O Smashing Pumpkins trocou a distorção pela suavidade em seu novo disco e é com essa novidade que o grupo de Chicago desembarca no Brasil para dois shows neste final de semana.
Hoje eles tocam no Metropolitan, no Rio, e domingo no Olympia, em São Paulo. Com quatro álbuns lançados, excluindo a coletânea de lados B de singles Pisces Iscariot, o Smashing já foi apontado como o sucedâneo do Nirvana no trono do rock alternativo americano.
O trabalho anterior, Mellon Collie & the Infinite Sadness (95), teve uma tiragem de 8 milhões de cópias transformando-se no álbum duplo mais vendido na história da indústria fonográfica americana. Mas, como muitos pares de geração, o Smashing foi abatido pela tragédia.
Paralelamente à consagração, a banda perdeu o tecladista e músico de apoio Jonathan Melvion, morto por overdose. Como efeito do episódio, o baterista Jimmy Chamberlain foi demitido pelos colegas por também estar envolvido com drogas. Para o seu lugar, vários músicos se revezaram na cozinha entre a gravação do novo disco e a atual turnê. O colaborador mais recente é Kenny Aronoff, que já tocou com astros do mainstrean como John Mellecamp, Melissa Etheridge, Celine Dion e Bob Seeger.
É ele que vem ao Brasil para essa que é a segunda visita da banda ao País. No festival Hollywood Rock, de 96, os Pumpkins apresentaram-se numa tarde ensolarada no Estádio do Pacaembu ao lado de nomes como Supergrass e The Cure. Já naquela ocasião, a banda privilegiou um set ameno com as canções pop predominando sobre o lado mais pesado de seu repertório.
Antes de entrar novamente em estúdio, muito se cogitou sobre as futuras linhas musicais perseguidas por Billy Corgan e cia. Na época, o vocalista e principal compositor do grupo dizia-se saturado de rock, alimentando especulações sobre uma provável incursão da banda pela eletrônica. Mas, de eletrônica, o recém-lançado Adore só contém uma famigerada e dispensável batidinha.
O álbum continua dividindo fãs e críticos. Repleto de violões, violinos, guitarras dedilhadas, pianos e percussão programada, o material já foi exaltado e repelido por uns e outros. Como Corgan, James Iha, DArcy e Aronoff vão transportar essa coleção de canções melodiosas para os palcos do Metropolitan e do Olympia, sem enfadar o público, é a pergunta que paira no ar.


