Com atraso, mas nem tanto
Nelson Sato
De Londrina
Quem é louco por CDs, já se ligou. De uns meses para cá, encomendar discos nas importadoras virou apenas uma opção relaxada e não mais uma aflição doentia como antes. O motivo é que os títulos bacanas estão chegando ao país, alguns com atraso de uma ou duas temporadas e outros com lançamento quase simultâneo às matrizes gringas.
É só uma questão de controlar a ansiedade e esperar a boa notícia das gravadoras. What Are You Going To Do With Your Life? do Echo & The Bunnymen, Eeviac do Man or Astro-Man? e Three Dollar Bill, Yall$ do Limp Bizkit são alguns dos álbuns bastante badalados e que acabam de ganhar edição nacional.
O último da lista, convém ressalvar, não é tão novo assim. Saiu há dois anos lá fora, mas vale incluir aqui por ser o trabalho de estréia da banda que chegou ao topo da parada norte-americana este mês com o CD Signifficant Others. Limp Bizkit é da nova safra do metal, mais uma entre tantas que combina guitarras pesadas e vocais de hip hop.
Um de seus integrantes é o DJ Lethal, do grupo de rap House of Pain. Three Dollar Bill, Yall$, que está saindo aqui pela Roadrunner, foi produzido por Ross Robinson e mixado por Andy Wallace, duas figuras tarimbadas de estúdio cujos currículos constam trabalhos para Sepultura, Nirvana e Smashing Pumpkins. Uma das faixas traz participação dos Deftones, outro expoente do metal com groove.
Quem aprecia o estilo, tem treze faixas para se empapuçar. O padrão é religiosamente respeitado com uma entrada lenta, paradinha e brusca avalanche de guitarras distorcidas acompanhadas por vocais esgoelados. Para soar irreverente, o quinteto encapsulou na fórmula até o hit Faith, do pegajoso George Michael. Essa versão, aliás, está disponível para download no site do grupo na Internet (www.limp-bizkit.com).
Mas atacar impiedosamente os amplificadores não é exclusividade da tribo heavy. As guitarras limpas da surf music também podem abalar tímpanos distraídos, pelo menos quando saltam empoeiradas das garagens do interior do Alabama, sul dos Estados Unidos. É de lá que vem o quarteto Man or Astro-Man?, que teve seu último disco lançado no país pelo selo independente Motor Music, de Belo Horizonte.
Eeviac traz marcas de sua passagem pelo Brasil, em novembro passado, quando chegou a tocar em Curitiba, Maringá e Londrina. Consta que algumas sessões de gravação foram registradas num estúdio na capital mineira - uma das músicas, As estrelas agora elas estão mortas, traz o produtor Marcos Boffa (também sócio-proprietário do selo Motor Music) repetindo nos vocais a frase do título.
As vozes, aliás, só entram como interferências. Com exceção de uma faixa, o disco é todo instrumental, trazendo como destaques as impagáveis A reversal of Polarity (com baixo arrasador e na qual os efeitos sugerem filmes de ficção científica) e D: contamination (uma mistura de rock industrial e big beat). Aos fãs, vale avisar que a banda retorna ao Brasil para uma nova turnê em setembro.
Completando o giro pelos recentes lançamentos, não poderia faltar a nova coleção de canções de Ian McCulloch, o fundador do Echo & The Bunnymen. No disco, McCulloch parece aperfeiçoar-se como o grande vocalista de sua geração e Will Sergeant ameaça seus concorrentes extraindo riffs e acordes cristalinos da guitarra.
What Are You Going To Do With Your Life (Universal), todavia, traz um repertório contido e ainda tributário de um passado glorioso. Get in the Car, com arranjos à la Burt Bacharach, chega a roçar a grande fase. Mas apesar de uma delicadeza rara, o disco desaponta a todos aqueles que ainda aguardam uma nova Killing Moon, a canção sem rivais da geração 80.As bandas Echo & The Bunnymen, Man or Astro-Man? e Limp Bizkit têm seus CDs lançados no Brasil quase que simultaneamente com o exterior
ReproduçãoIan McCulloch, vocalista do Echo & The Bunnymen: ícone da geração 80ReproduçãoMan or Astro-Man? toca no Brasil em setembroReproduçãoLimp Bizkit: expoente do novo metal chegou ao topo das paradas americanas neste mês





