Com as horas contadas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Celso Mattos De Londrina 
Confesso que entrei no cinema para ver À Espera de Um Milagre esperando ser bombardeado por três horas de cenas sobrenaturais e uma enxurrada de lágrimas. Mesmo assim, tinha a expectativa de estar enganado, afinal o filme é uma adaptação do livro O Corredor da Morte de Stephen King e dirigido por Frank Darabont, o mesmo de Um Sonho de Liberdade. Quando as luzes se acenderam, percebi que minha expectativa não havia sido frustrada.
Apesar de não ser tão ousado quanto outros concorrentes ao Oscar deste ano, como Beleza Americana e O Informante, A Espera de Um Milagre não é um filme para ser assistido, mas sentido. Com fez em sua obra anterior, Darabont desenvolve a trama valorizando os personagens, sem recorrer a pirotecnias ou recursos estéreis. É um filme bonito, mas não precisava ser tão longo. Meia hora a menos não iria fazer falta nenhuma.
Mesmo tendo suas qualidades, À Espera de Um Milagre não merecia estar entre os cinco concorrentes a melhor filme, na cerimônia do Oscar deste ano. O roteiro, apesar de interessante, é confuso e exagerado. Mas é impossível não se envolver com a história de John Coffey (Michael Clarke Duncan, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante), um homem com poderes sobrenaturais que é acusado injustamente pela morte de duas meninas.
Ao ser preso e condenado à morte, seu dom de cura é descoberto pelo carcereiro Paul Edgecomb (Tom Hanks), que passa a simpatizar-se com a história do prisioneiro. O filme tem a sequência de execução na cadeira elétrica mais aterrorizante do cinema. É lógico que em vídeo a cena vai perder grande parte de seu impacto, mas não deixará de ser arrepiante. Lançamento da Warner, em formato vídeo e DVD. Duração: 188 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoChristina Ricci faz parte do elenco desta fábula dark
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça
O filme é uma fábula dark baseada numa das figuras mais famosas do folclore americano: a história do cavaleiro sem cabeça que no ano de 1799 aterrorizava o vilarejo de Sleepy Hollow. Dirigido por Tim Burton, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça traz Johnny Deep no papel de um investigador destacado para descobrir a identidade do cavaleiro que decepa a cabeça dos moradores de Sleepy Hollow. A fotografia e a direção são boas, mas o roteiro deixa a desejar.
Tim Burton imprime no filme seu velho estilo fantasioso de contar uma história. Nada parece real, até o sangue que jorra é cor-de-rosa e os belos cenários lembram uma pintura surrealista. O estilo antigo do filme relembra a atmosfera dos velhos clássicos do terror produzidos pela Hammer, estúdio inglês especialista nesse tipo de produção que fez muito sucesso nas décadas de 50 e 60. Lançamento da CIC. Duração: 111 minutos.
DivulgaçãoCraig Ferguson interpreta um cabeleireiro escocês que vai para Los Angeles
O Gênio da Tesoura
Esta produção pequena e inédita nos cinemas brasileiros, chegou às locadoras discretamente. Mas O Gênio da Tesoura é uma comédia muito divertida e cheia de reviravoltas. O cabelereiro escocês Crawford Mackenzie (Craig Ferguson), o mais requisitado de Glasgow pensa ter sido convidado para disputar o Prêmio Tesoura de Prata no Campeonato Mundial de Cabelereiros de Los Angeles, mas na verdade, ele foi convidado pela Federação Internacional de Cabeleireiros apenas como um mero observador.
Ao chegar em Los Angeles ele descobre o engano, mas não se intimida e resolve disputar o prêmio a qualquer preço. Para isso, ele arma o maior barraco na cidade. Dirigido pelo desconhecido Kevin Allen, o filme agrada pela simplicidade como a história é contada. Vale a pena conferir porque é um filme muito bacana.Lançamento da Warner. Duração: 87 minutos.


