Carolina Dieckmann não quer nem ouvir falar em fazer outro papel de mocinha. Pelo menos tão cedo. Assegura que só aceitou voltar ao ar após a insossa Diana, a mocinha de ''Passione'', porque soube que Teodora, sua personagem em ''Fina Estampa'', vai ser o oposto das boazinhas que coleciona na carreira, com exceção da diabólica e charmosa Leona, de ''Cobras & Lagartos'', sua única vilã na tevê. ''Mesmo assim, torço para que ela se redima logo'', assume, com um esboço de sorriso.
Teodora, que só entra no ar na quarta semana da história de Aguinaldo Silva, parece ser bem diferente das mulheres mais requintadas ou mocinhas ingênuas vividas pela atriz. A personagem, que abandonou o marido Quinzé e o filho Quinzinho, vividos por Malvino Salvador e o pequeno Gabriel Pelícia, só volta ao Brasil quando descobre que a sogra Griselda, de Lilia Cabral, ganhou na loteria. Interessada na fortuna, decide arrumar uma forma de ''negociar'' o filho e levar vantagem com a sorte da heroína. ''Não toparia fazer se fosse outra mocinha. Fiquei muito mal com a morte da Diana e sofri muito. Mesmo assim, quero que a Teodora se dê mal ou vire boazinha. Já chorei só lendo a sinopse e sabendo que ela largou o filho'', ressalta.
Além de clarear os cabelos para a personagem, a atriz de 33 anos tem se divertido na composição da interesseira, inspirada em mulheres mais atiradas, daquelas que só saem de casa de salto alto e roupas bem justas. ''Ela usa roupa de 'periguete'. Mas não é do tipo do 'BBB' e Mulher Melancia, é 'periguete' mais chique, meio Paris Hilton'', define Carolina, aos risos. A personagem ainda tem um caráter para lá de duvidoso, pois é capaz de largar o marido e o filho com um ano de idade para fugir para os Estados Unidos com um lutador de vale tudo, o Wallace, vivido por Dudu Azevedo. ''Boas intenções essa moça não tem! Ela investe o dinheiro dela em roupas em vez de mandar para o filho! Tomara que se arrependa e chore muito'', torce.
Mesmo assumindo não querer emendar mocinhas na tevê, é indisfarçável a preferência da atriz por esse tipo de personagem. Tanto que, mesmo antes de a trama estrear, a atriz assume que já está torcendo para que Griselda se dê bem na história. ''O Mal não pode vencer nunca. Não vejo graça nessa apologia ao Mal que se vê por aí. A dona de casa que lava roupa lá em Rondônia e espera o dia inteiro para ver a novela depois do 'Jornal Nacional' quer ver a mocinha se dar bem. É a mocinha que faz o olho de todo mundo brilhar'', acredita a atriz, que foi severamente criticada por sua última boazinha na tevê, a apática Diana, que morreu em ''Passione'' após ter um filho com Mauro, de Rodrigo Lombardi. ''Ela tinha de ser sem sal mesmo, sem brilho. Desde o início queria que a Diana fosse apagada porque ela era assim. Sou apenas uma contadora de histórias. Essa é minha profissão. Não posso deixar minha personalidade se sobressair nas personagens'', defende-se Carolina, que estreou na tevê em 1993, na minissérie ''Sex Appeal''. ''Eu nem sabia o que estava fazendo. Era tudo intuitivo'', lembra.
De lá para cá, a atriz trilhou uma carreira quase toda na televisão. Preferiu fazer trabalhos bissextos no teatro e parcas atuações no cinema por escolha própria. Segundo a atriz, o fato de ter estreado no veículo aos 15 anos de idade fez com que ela fosse aprendendo a se envolver em todo o processo por trás das câmaras. ''Faço televisão para as pessoas que precisam escolher entre comprar uma tevê e uma geladeira e optam pela tevê. Tenho paixão por levar entretenimento para quem só tem isso'', valoriza, antes de emendar: ''Não vou sair por aí fazendo teatro e cinema porque são os veículos que as pessoas mais respeitam. Não me importa o que pensam. Também não vou montar uma peça para usar meu prestígio e ganhar dinheiro. Essa atriz eu não sou'', avisa.

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