Há lugar para shows de MPB numa região dominada pela música sertaneja? O cantor e compositor paranaense Alê D'Ilê acredita que sim. Radicado em Macapá (Amapá), ele veio visitar familiares e amigos em Londrina e Porecatu (sua cidade natal) - e aproveitou a viagem para tentar marcar shows de lançamento de seu primeiro CD.
''Venho todo ano para cá. Minhas raízes estão aqui'', conta o músico, que é formado em Letras pela UEL. Seu disco de estréia tem produção independente. Já foi gravado e está em fase de finalização do material gráfico antes de ser enviado para prensagem. A arte da capa terá colaboração do artista plástico Bonifácio, amigo de longa data que reencontrou em Londrina.
As sessões de gravação ocorreram entre julho de 2009 e julho de 2010. Ele trouxe cópias de uma demo na bagagem, que está circulando na imprensa e entre donos de bares e casas noturnas. Seu plano é voltar em julho para subir aos palcos e mostrar seu trabalho para o público. O CD contém 9 faixas autorais - uma traz parceria com Iramel Lima e outra foi composta a quatro mãos com Amélie Dassé, Benjamin Dubillard e Justine de Bodinat.
A produção artística foi assinada pelo pianista Piska Martins. A equatoriana Andrea Ruilova tem participação especial nos vocais, piano, escaleta e percussão. Ao lado dela, aliás, Alê fez um show em Londrina em 2009. O músico explica que o álbum, que traz seu nome no título, também poderia ser chamado ''Inspirações da vida'': ''É que as canções apresentam traços de minhas origens interioranas e dos lugares por onde passei, além dos elementos do ambiente onde vivo, que é a região Norte do País. Em uma das músicas, aliás, falo da pororoca, um fenômeno da natureza que ocorre no Amapá'', diz.
Segundo ele, a MPB, a música caipira de raiz e ritmos caribenhos são as principais referências musicais de seu repertório. ''Cresci ouvindo Milton Nascimento, Gilberto Gil, Boca Livre e outros artistas'', salienta. ''Era o que as FMs tocavam até os primeiros anos da década de 80. Paralelamente, tive influência da moda de viola, da música do campo, embora tenha vivido sempre nas cidades. E, morando na fronteira com as Guianas Francesas, não tem como não se deixar levar pelo zouk, o cacicó, o marabaixo e outros ritmos regionais''.
O músico tem noção de que nada contra a corrente. ''Sei que não faço um som midiático. É diferente do que se ouve por aí, mas acredito que existe público para esse tipo de trabalho. Quero conquistar o meu espaço'', assinala. Contatos com o artista podem ser feitos pelos e-mails: [email protected] e [email protected].

mockup