David Bowie acaba de entrar no decadente (para muitos) clube dos roqueiros cinquentões, onde em troca de sucesso fácil e algum dinheiro extra, a maioria procura uma repetição de fórmulas.
São poucos os que procuram inovar em suas carreiras nessa idade: com Frank Zappa era assim, com Neil Young é assim. E o que dizer de Bowie? Esse londrino que completa 50 anos nesta quarta-feira, 8 de janeiro, promete celebrar a data em grande estilo: um concerto marcado para quinta-feira no Madison Square Garden, em Nova York, que terá vários amigos e fãs do cantor: Frank Black (ex-Pixies), Foo Fighters, Robert Smith (The Cure), Sonic Youth e até Lou Reed. Toda a renda do concerto será doada para o projeto ‘‘Save the Children’’, uma organização criada em 1932, que ampara os menores carentes em 40 países.
Mas as comemorações não ficarão por aí: no dia 11 de fevereiro, Bowie lançará seu novo disco ‘‘Earthling’’, pelo selo Virgin. Seu novo single ‘‘‘Telling Lies’’ foi lançado primeiro pela Internet. Em CD, apenas em fevereiro.
Pouca coisa se sabe sobre o novo trabalho. É certo apenas que Bowie voltará a trabalhar com o produtor Brian Eno, com quem retomou a parceria com ‘‘Outside’’, de 1995, após 16 anos de separação. Bowie e Eno redefiniram o som dos anos 80, entre 77 e 79, quando geraram os álbuns ‘‘Low’’, ‘‘Heroes’’ e ‘‘Lodger’’.
A maior expectativa, talvez, é saber se trabalhará com Trent Reznor, líder da banda industrial Nine Inch Nails, e que excursionou com ele durante em sua última turnê.
Sua parceria com Reznor foi importante em vários aspectos: primeiro Bowie quis dar a algumas músicas um tratamento mais atual, fazendo com que
parecessem mais ‘‘sujas’’ do que nunca.
Promessa E em segundo lugar, Bowie cumpre a promessa que fez em 1990, quando da turnê ‘‘Sound and Vision’’ (que passou pelo Brasil), prometeu nunca ficar preso ao passado.
Bowie afirmou que gostaria de saber se ainda teria, aos 43 anos, capacidade de fazer músicas novas e levar público aos seus shows, sem ficar escorado nos antigos ‘‘hits’’.
‘‘Será uma coisa excitante, porém assustadora, mas não posso ficar apoiado nas minhas antigas canções, como um velho que se apóia em uma bengala’’, afirmou.
Os shows da atual turnê com Reznor, disponíveis em alguns excelentes CDs piratas no mercado, mostram, um Bowie excitante, voltando ao passado apenas quando há ligação com o novo trabalho.
É assim com ‘‘Look Back in Anger’’ (‘‘Lodger’’, 79), ou ‘‘The Man Who Sold The World’’(do álbum homônimo, de 71). Mas não há ‘‘Let’s Dance’’’ ou ‘‘China Girl’’, enfim, o pop dos anos 80.
Mas o abandono ao passado custou caro para o cantor. Seu primeiro projeto, a banda Tin Machine, iniciado em 89, mostrava como apenas um integrante de uma banda e foi duramente demolido pela crítica. Depois disso, Bowie retomou a carreira solo. Seu próximo álbum, ‘‘Black Tie White Noise’’, o mostrava falando de casamento, de seu irmão morto, de racismo, além de cantar uma música de Morrissey, o venerado ex-líder dos Smiths.
Voltar a trabalhar com Eno, para ele, é mais do que simplesmente reeditar a parceria. É um modo diferente de abordagem. ‘‘Quando os primeiros sintetizadores saíram, vinham com um manual de instrução, como se fossem alguma batedeira. Eu disse para o Brian esquecer aquilo e começarmos a descobrir os sons por nossa conta. Hoje os recursos são infinitamente maiores, mas o espírito continua o mesmo.’’

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