Com a magia do oriente
Uma arte antiga e misteriosa, a dança do ventre até hoje encanta o público com coreografias tradicionais, como a Dança dos Sete Véus. Apesar de ser pouco praticada no Ocidente, tem conquistado espaços importantes na cultura de vários países, como o Brasil. Em Londrina, acontece na segunda-feira a 2ªMostra de Dança do Ventre, a partir das 21 horas, no Teatro Marista. O evento é promovido por Rhamza Alli - Escola de Dança do Ventre.
A mostra deste ano vai apresentar 20 coreografias, entre elas o Zaar e a Dança da Moeda, esta protagonizada pela professora e bailarina Rhamza Alli. O Zaar, uma dança forte e carregada de espiritualidade, retrata mulheres de tribos do Sul do Egito.
César AugustoAo todo serão mostradas 20 coreografias na 2ª Mostra Londrinense de Dança do Ventre que reúne 37 bailarinasO percussionista da mostra, Ronan Alli, administrador da Escola, adianta que o espetáculo conta uma história que se passa no castelo da princesa Shapira, que recebe convidados para uma festa, entre eles, a contadora de histórias Sherazade. Só que além dessa convidada, a princesa recebe também duas ciganas - uma boa e outra má - e uma terceira, que tenta ludibriar Shapira com a Dança da Moeda, na qual ela faz três moedas dançarem na sua barriga.
Mas outras coisas vão acontecer no castelo: a cigana boa defende a vida da princesa duelando até a morte com a cigana má, beduínas chegam em busca de água e um nobre guerreiro Tuareg (também protagonizado por Rhamza Alli) dança com sua espada ao som da música homônima de autoria de Jorge Ben Jor interpretada por Gal Costa.
César AugustoA história da princesa Shapira será contada numa das coreografias que reúne ainda ciganas e a mítica SherazadeRonan Alli antecipa, ainda, que a segunda parte do espetáculo traz coreografias que são uma complementação da dança do ventre. Trinta e sete bailarinas estarão no palco do Marista. A mostra terá 1h30 de duração.
Algumas coreografias terão o ritmo marcado por Ronan Alli no derbak (principal instrumento árabe de percussão) e pelas alunas nos Snuges (instrumento precursor da castanhola, feito de bronze).
As alunas da Escola Rhamza Alli têm tempo variado de experiência. Segundo Ronan Alli, algumas dançam há quase três anos e outras que estão trabalhando há seis meses. O evento é uma mostra do trabalho de Rhamza Alli, que divulga a dança do ventre como benefício físico, espiritual e psicológico para todas as mulheres.
César AugustoNúmeros tradicionais utilizam o punhal (acima) e os véus: técnica e plasticidade se combinamA dança, segundo a bailarina, não envolve tão somente uma técnica precisa e controle muscular, mas o ser como um todo (mente, corpo e alma), com a cultura árabe em geral - a música, os ritmos, a língua, os costumes, o folclore.
Ronan Alli observa que a dança do ventre - uma prática milenar, considerada a primeira dança feminina que tem registro na história - está realmente ganhando espaço nas culturas ocidentais. Ele conta que a procura pelas aulas - assim como pelos espetáculos - aumentou bastante e hoje Rhamza Alli tem cerca de 120 alunas. O problema é que nem sempre a divulgação e o ensino da dança vão pelo caminho certo. Muita gente se aproveita da novidade sem ter um mínimo de conhecimento, lamenta.
Rhamza Alli é formada em balé clássico pelo Balett Stagium, de São Paulo. Há 12 anos começou a estudar dança do ventre e em 1994 passou um ano na Europa aperfeiçoando seus estudos. Em 1996, transferiu-se para Londrina e começou a ensinar essa arte em sua própria escola.César AugustoTécnica e perfeito controle muscular são utilizados na dança do ventre como ensina a bailarina Rhamza AlliJackeline Seglin





