Pode não ter vindo para ficar, mas o fato é um só: os discos acústicos estão se esparramando pelas prateleiras mais que batatinha quando nasce. Da elite da MPB aos ícones da canção popular, a ordem parece ser a de dar os ombros às engenhocas eletrônicas e valorizar os recursos humanos. E nessa onda de acusticomania, chega às lojas mais um disco nesse formato, vindo de um cantor e compositor cuja musicalidade sempre vai aonde o povo está. É José Augusto, que está lançando ‘‘Minha Vida’’, seu 21º trabalho.
A maioria das 14 faixas é composta de sucessos gravados por ele entre 85 e 90. Apenas duas músicas inéditas - ‘‘Vem Se Amarrar Comigo’’ (José Augusto) e ‘‘Apaixonado’’ (José Augusto-Peninha). Há também ‘‘Apenas Por Amor’’, versão em português que José Augusto fez para o megasucesso ‘‘Per Amore’’ que arrebatou o Brasil na voz de Zizi Possi. Pois é, ele fez isso. É essa música que abre o disco que tem arranjos de Lincoln Olivetti, que na década de 70 e 80 trabalhou com alguns medalhões da MPB.
Em ‘‘Minha Vida’’, José Augusto revisita canções que tocaram até nas rádios. São hits assinados por ele e/ou com parceria principalmente com Paulo Sérgio Valle e também canções de outros compositores que estouraram em sua voz. Para quem é fã do cantor e compositor, vai se esbaldar ao vê-lo cantando pérolas como ‘‘Aguenta Coração’’ (Prêntice-Ed Wilson-Paulo Sérgio Valle, música de abertura da novela ‘‘Barriga de Aluguel’’), e ‘‘Chuvas de Verão’’ (Antonio José).
Pois muito. É preciso deixar claro que mesmo com o tratamento acústico, em que cordas são valorizadas, as canções não perdem o seu gosto duvidoso. É o caso, por exemplo, de ‘‘Querer é Poder’’ (José Augusto-Carlos Colla) em que José Augusto reparte o microfone com a mãe do ano, ou seja, Xuxa. Em compensação, chega a ser interessante o registro de duas de suas músicas que estouraram na voz de outros cantores.
São elas ‘‘Evidências’’ (com participação de Roberta Miranda) e ‘‘Separação’’ registradas originalmente por, respectivamente, Chitãozinho e Xororó e Simone. Trata-se de dois exemplares de canções populares que por terem letras tão incisivas e, por que não bonitas, o ouvinte mais exigente acaba por esquecer o fácil apelo das melodias.
Enfim, ‘‘Minha Vida’’ é um disco destinado a fãs de José Augusto. Só para fãs, que não são poucas. Só elas, por exemplo, nem vão se dar conta de que seu ídolo pode ser um bom compositor na praia popular, mas não é dono de nenhum recurso vocal extraordinário. Tem lá seu charme. Talvez por isso que o formato acústico e seu inevitável clima intimista até que caiu bem, muito bem para José Augusto.

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