São Paulo, 10 (AE) - Você pode escolher o formato da tela: cinema (widescreen) ou normal (standard). Pode escolher a legenda e até o idioma em que o filme é falado. Tudo isto e ainda assistir ao trailer do cinema e à seleção das cenas. "Bugsy", de Barry Levinson, é uma das novidades da Columbia em DVD. O vídeo digital garante a alta qualidade da imagem e do som.
"Bugsy" foi o grande perdedor do Oscar em 1991. Concorreu em dez categorias, mas foi atropelado pelo vitorioso daquele ano, "O Silêncio dos Inocentes", de Jonathan Demme. Terminou ganhando só em duas. Foram prêmios de consolação, nas categorias de direção de arte e figurinos. Talvez o filme merecesse mais. Um Oscar de diálogos, se o prêmio existisse. Benjamin Siegel e Virginia Hill, os personagens de Warren Beatty e Annette Bening, passam o tempo todo se esgrimindo verbalmente.
Não é um grande filme e nem se podem esperar grandes coisas de um diretor como Levinson, que começou autoral e biográfico, no seu ciclo sobre Baltimore ("Quando os Jovens Se Tornam Adultos" e "Avalon"), antes de decepcionar com uma obra tão desonesta, intelectualmente, quanto "Assédio Sexual". Depois disto, ele não parou mais de cair, assinando tolices como o enfadonho "Esfera".
Mas no tempo de Bugsy, talvez por pressão do astro (e co-produtor) Warren Beatty, Levinson ainda conseguia criar alguns momentos interessantes. Não é um filme de gângsteres como os outros, pelo simples fato de que o próprio Bugsy foi um gângster diferente. Indicado pela Máfia para ser o seu homem na Costa Oeste, ele começou a interessar-se por cinema. Tornou-se amigo de George Raft (que, nem de longe, se parece com o ator que o interpreta, Joe Mantegna). A amizade abriu as portas de Hollywood para Bugsy. As portas que não foram abertas ele arrombou com truculência.
Viveu com Virginia Hill, uma atriz, num mundo de fantasia. Logo no primeiro encontro, os dois são mostrados como sombras projetadas numa tela. Difícil, a partir daí, definir o que é real ou fantasia na relação do casal. Como um visionário, Bugsy criou Las Vegas no deserto, erguendo do nada um empreendimento que só em 1991 faturou US$ 100 bilhões com apostas e turismo. Era um gentleman e um louco. Na melhor cena do filme, ele cobre de pancada um ex-amante da mulher. Só pára ao ver sua imagem desalinhada num espelho. Levinson concentra aí
numa única imagem, o tema de todo o filme - o conflito entre o que Bugsy queria ser e o que ele era, na verdade.
Como exercício de estilo e glamour, o filme pode não ser nota 10, mas possui atrativos. Atrai ainda mais os românticos nesta véspera do Dia dos Namorados. "Bugsy", na tela, fica siderado pela desinibida e desafiante Virginia. Na vida real, os atores identificaram-se tanto com os papéis que Beatty, um dos mais incorrigíveis conquistadores de Hollywood, também se rendeu ao fascínio da bela Annette, com quem se casou. Fizeram outro filme juntos, mas o remake de "Tarde demais para Esquecer" não deu certo.
Serviço - "Bugsy" (Bugsy). EUA, 1991. Direção de Barry Levinson, com Warren Beatty, Annette Bening e Harvey Keitel. Colorido, 135 min. DVD Columbia.

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