Deixar a cidade mais colorida e as pessoas mais alegres. É com esse objetivo que a funcionária pública aposentada Rosane Fernandes Araújo tem transformado restos de materiais de construção depositados em caçambas em obras de arte. Há cinco anos ela reaproveita pedaços de pisos e azulejos para produzir mosaicos que são incorporados a espaços públicos de Londrina. Após decorar o parquinho do Centro Social Urbano da Vila Portuguesa e três escadarias do bairro, a londrinense tem se dedicado a enfeitar mesas instaladas no Aterro do Lago Igapó 2.

"Desde criança sempre gostei de arte. Quando me aposentei havia acabado de concluir um curso gratuito de mosaico e achei que deveria aproveitar meu tempo livre para deixar a vida das pessoas melhor. Foi daí que veio a ideia de transformar espaços de uso público em ambientes melhores", relata Rosane.

O primeiro local a receber a interferência artística da aposentada foi o parquinho infantil localizado na Vila Portuguesa (região central). "Moro em outra região da cidade, mas passando por ali percebi que faltava uma cor para dar mais vida àquela área de recreação. Então decidi fazer mosaicos nas mesas instaladas no parque", lembra.

A reação dos moradores do bairro acabou surpreendendo a artista plástica amadora. "O colorido do mosaico acaba fazendo com que as pessoas parem para observá-lo. Muitas pessoas ficaram curiosas para ver o que estava sendo produzindo e fizeram questão de elogiar minha iniciativa. Essa reação imediata e espontânea acabou me motivando a continuar meu trabalho", afirma.

Animada com a experiência, Rosane decidiu literalmente subir alguns degraus com sua arte. "Observei que algumas escadarias da Vila Portuguesa que dão acesso à Avenida Duque de Caxias eram cinzas e tristes. Achei que o mosaico poderia deixar o trajeto dos moradores mais interessante. Apesar de gostar do meu trabalho, alguns deles questionaram porque gastar meu tempo e dinheiro para decorar um bairro onde eu nem sequer resido. Mas a satisfação de sentar próximo aos mosaicos já prontos e ver a reação de alegria das crianças e adultos ao vê-los nas escadas faz valer a pena qualquer sacrifício", garante.

Ela salienta que, além de boa vontade, a produção dos mosaicos também exige tempo, disciplina e dinheiro. "Embora eu não tenha gastos com os pisos, azulejos e pastilhas que retiro das caçambas, é necessário comprar cimento e rejunte para produzir os mosaicos. Cortar esse material do tamanho adequado para criar figuras também é bastante trabalhoso pois o corte é feito com máquina e é comum machucar a mão nesse processo. Tem ainda a poeira do cimento e custo com a gasolina para levar tudo para o local onde o mosaico será instalado. Mas pra mim isso tudo é um prazer. Saio de casa de manhã feliz da vida já com comida, água e meus acessórios de trabalho", enfatiza.

Atualmente Rosane tem como destino certo o Aterro do Lago Igapó 2. "Estou fazendo mosaicos nas mesinhas próximas às quadras de vôlei. Ainda não me decidi para onde vou depois. Mas como tenho o hábito de andar pela cidade já observando alguns espaços que poderiam ficar melhor com os mosaicos, logo deve surgir uma nova inspiração", conclui.

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