‘‘Comédias Para se Ler na Escola’’, segundo volume da republicação das obras de Luis Fernando Verissimo, traz uma seleção de crônicas para estimular jovens leitores
Luis Fernando Verissimo talvez seja o cronista mais popular em atividade hoje na imprensa brasileira. Retratando situações do cotidiano, faz uso de uma linguagem sintética pautada pela oralidade e pelo bom humor. Com esses elementos e criatividade, suas crônicas, quando compiladas em livros, não perdem a vitalidade e a contemporaneidade.
No final de 2000, a Editora Objetiva deu início à republicação de toda a obra de Luis Fernando Verissimo que compreende 25 títulos. ‘‘As Mentiras Que os Homens Contam’’, lançado em dezembro reunindo 40 crônicas, foi o primeiro volume da ‘‘Coleção Verissimo’’.
Essa semana chega às livrarias o segundo volume da coleção, ‘‘Comédias Para se Ler na Escola’’, uma seleção de 36 crônicas do escritor gaúcho. A novidade do livro está no fato de ter sido organizado pela escritora carioca Ana Maria Machado, uma das mais respeitadas autora de obras infantis e infanto-juvenis da literatura brasileira.
O objetivo de ‘‘Comédias Para se Ler na Escola’’ foi tentar reunir num único volume crônicas voltadas ao leitor jovem que poderiam ser utilizadas como instrumento de estímulo à leitura, bem como material paradidático no ensino de literatura e língua portuguesa. Verissimo nunca escreveu crônicas direcionadas à essa finalidade, mas o fato é que há anos seus textos vêm sendo utilizados com tal fim.
Grande parte das crônicas de ‘‘Comédias Para Ler na Escola’’ foi extraída de uma outra antologia de Verissimo, ‘‘Comédias da Vida Privada’’, publicado pela Editora L&PM há dez anos atrás, um best-seller na época. Em seu prefácio, Ana Maria Machado confere um sentido ao livro: a introdução ao mundo da leitura através de textos curtos, claros e simples.
Com relação ao tamanho reduzido das crônicas, Ana Maria aponta as vantagens com relação ao fôlego dos leitores: ‘‘O fôlego de leitura é igualzinho ao que acontece nos esportes. Como quem sabe que não vai aguentar jogar noventa minutos, e então nem bate bolinha, dizendo que acha futebol um jogo idiota. Há quem desanime só de ver o número de páginas do livro, ou o tamanho da letra, ou o fato de não ter ilustração. Nesse caso, o cara acha que vai ficar de língua de fora e pagar o maior mico. Não percebe que não está competindo com ninguém. Também não tem ninguém na arquibancada olhando sua performance. Dá pala levar o tempo que quiser para chegar ao fim do livro.’’
Com relação à clareza dos textos, Ana Maria lembra do medo do leitor em não ter musculatura para ler: ‘‘Medo de só dar uma chute chocho e a bola não ir longe. De aguentar a força do que está escrito, não entender umas palavras, não perceber o que o autor que dizer e ficar se achando burro. Se nunca usar, o músculo pode acabar tão atrofiado que o cara não consegue nem mastigar, fica feito bebê, só come papinha, sopa e sorvete. Incapaz de traçar um churrasco – para não falar em ir ao supermercado trazer a carne, ou plantar a própria horta. Dá um trabalho...’’
Se ‘‘Comédias Para se Ler na Escola’’ será devorado por jovens leitores, ou não, só a lista dos best-sellers dirá. Mas certamente os adultos são os reais fiéis leitores das crônicas de Verissimo. Seja com fôlego ou sem fôlego, seja com musculatura ou sem musculatura para a leitura. (M.L.)
Comédias Para se Ler na Escola – De Luis Fernando Verissimo, Editora Objetiva (telefone 21 556-7824), apresentação e seleção de Ana Maria Machado, 148 páginas, R$ 16,00.

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