Colonização tem semelhança com o Brasil
Montego Bay - Um despretensioso tour por Montego Bay, capital turística da Jamaica, já basta para conhecer um pouco da alma da ilha, que ainda hoje guarda marcas do flagelo da escravidão. O principal símbolo de que a história de lutas não foi esquecida fica bem no centro da cidade de 110 mil habitantes. Trata-se de um monumento ao herói nacional Samuel Sharpe, enforcado por senhores de engenho ingleses após pôr fogo em uma plantação de cana-de-açúcar, o principal produto do país à época.
O episódio, ocorrido na noite de 27 de dezembro de 1831, foi batizado de ''The Christmas Rebellion'' (A Rebelião do Natal) e deu início aos motins que culminaram na abolição, em 1834. A história do mártir Sam é contada no Montego Bay Civic Centre, o museu da cidade. Funciona de terça a quinta-feira, das 9 às 17 horas; sexta, até as 17 horas; sábado, das 10 às 15 horas. Ingresso a US$ 2.
O acervo fica colado à praça central, a mesma da homenagem a Sam. Também ao lado está a cadeia onde os escravos eram detidos. ''A população resolveu manter a prisão de pé para jamais se esquecer'', diz o guia, intérprete e funcionário da rede Sandals Delroy Perry. ''E para que as crianças possam saber de tudo o que aconteceu.'' Atualmente, o local funciona como loja de souvenirs.
Encontram-se vestígios da história jamaicana também em Hip Strip, badalada avenida à beira da Doctor's Cave, a praia mais famosa de Montego Bay. Ali estão concentrados bares, boates, restaurantes e hotéis. Nela os jamaicanos costumam se reunir ao entardecer para apreciar o pôr-do-sol. Os moradores, a propósito, chamam a cidade de MoBay.
Essa mesma via abriga as ruínas de uma antiga fortificação de defesa inglesa. Há canhões e partes intactas da muralha. No lugar, funciona atualmente um mercado de artesanato. Mas contenha a volúpia consumista: é melhor investir nas peças vendidas no centro de compras da Harbour Street.
Se quiser ter uma vista panorâmica da baía de MoBay, dirija-se ao Richmond Hill Inn, bem no alto de uma colina. De sua varanda com piscina é possível tirar belas fotos e desfrutar de um fim de tarde mais do que agradável.
Erguida no século 16, a casa-grande onde hoje funciona o hotel pertenceu a uma influente família britânica. Ao redor do prédio ficava a plantação de cana-de-açúcar. ''A sede foi construída no alto do morro para que os donos tivessem controle total da propriedade'', diz Perry. ''E também por uma questão psicológica, que sugeria submissão, já que os negros eram obrigados a levantar a cabeça para ver os senhores.'' Qualquer semelhança com episódios da história do Brasil não é mera coincidência. (F.V/AE)





