COLÔMBIA - Praias desertas surpreendem em Santa Marta
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terça-feira, 03 de junho de 2008
Natália Zonta<br> Agência Estado 
Santa Marta, Colômbia - Bem ao lado de praias banhadas pelo Mar do Caribe, picos cheios de neve e paisagens desérticas. Clima perfeito para curtir a dois. Na área urbana, a arquitetura espanhola vive em perfeita harmonia com a influência indígena. Santa Marta, no Estado de Magdalena, na Colômbia, é uma cidade cheia de contrastes. Pouco conhecida pelos brasileiros, a localidade também tem uma cultura singular, com tribos que há séculos manuseavam ouro, e uma admiração sem tamanho pelo jogador de futebol Valderrama, seu filho mais ilustre.
A chegada é feita em grande estilo. Já no aeroporto, à beira-mar, é possível ter uma amostra do que está por vir. Geralmente, a primeira praia que chama a atenção dos casais é Rodadero, no centro turístico de Santa Marta, onde fica a maior parte dos 120 hotéis da cidade. O nome do local vem do hábito que os moradores tinham de descer rolando uma duna que havia na praia. Hoje, o monte de areia não existe mais - no lugar foi erguido um prédio.
Quem procura agito deve se hospedar por lá. Rodadero não é o lugar com a paisagem mais impressionante de Santa Marta, mas ganha muitos adeptos à noite, quando o calçadão fica repleto de grupos tocando ballenato, ritmo caribenho popular na região. Moradores e visitantes tomam conta dos bares e dos restaurantes.
História
Mais distante dos hotéis cinco-estrelas fica o centro comercial da cidade. Prédios históricos no estilo espanhol, com pátios e jardins internos, contrastam com as infinitas barraquinhas de frutas e quinquilharias. Aproveite o passeio para conhecer o Museu do Ouro Tayrona, que reúne peças indígenas feitas com o metal precioso, e visitar as lojas de suvenires.
Nas igrejas e em outras construções, é possível notar que tudo em Santa Marta remete à história da Colômbia. Não é para menos. A cidade, fundada em 29 de julho de 1525, é a mais antiga do país. Foi lá que Simón Bolívar, herói da independência de cinco países sul-americanos - Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador -, morreu.
Valderrama também é considerado herói pelos moradores e, assim como o Libertador, foi homenageado com uma estátua. A imagem que fica bem na frente do Estádio Eduardo Santos conseguiu reproduzir (acreditem) a enorme cabeleira que tornou o atleta tão popular. Pelas ruas do centro, nota-se logo que os pouco mais de 450 mil habitantes da cidade fazem jus à conhecida hospitalidade dos latinos. Sorridentes, todos adoram conversar (ou pelo menos tentar) com os estrangeiros que chegam. A maioria da população descende da tribo tayrona. Por isso, os olhos puxados, a baixa estatura, o cabelo liso e a pela bronzeada são comuns por lá.
Os guias turísticos costumam dizer que, há séculos, bem antes de os conquistadores espanhóis chegarem à cidade, tribos asiáticas contornaram o globo e foram parar na Colômbia. Essa seria a explicação para os olhos puxados. Nada disso, no entanto, tem comprovação científica. A cultura tayrona é motivo de orgulho para os moradores de Santa Marta. Segundo eles, a tribo tinha comportamento avançado para os padrões espanhóis e admitia o divórcio e o homossexualismo.
Patrimônio
Difícil acreditar, mas a 42 quilômetros do litoral de Santa Marta há picos cobertos de neve. Não que seja fácil avistar os montes brancos - da areia, não é possível enxergar nem a metade do maciço de Serra Nevada, com 5.775 metros de altura. A região é considerada patrimônio da humanidade e reserva da biosfera pela Unesco.
As montanhas fazem parte do Parque Nacional Tayrona, o mais famoso da cidade. Embora impressionantes, os montes brancos - para se chegar até lá é preciso autorização e dias de caminhada - não são o principal atrativo. O título vai para as belas praias com autêntico mar caribenho. Mas para chegar até elas é preciso deixar a preguiça de lado e andar - algumas exigem caminhada de quatro quilômetros. Não se assuste. Vale a pena.
Cultura e história
Não dá para entender a cultura e a história de Santa Marta sem visitar dois lugares: o Museu do Ouro Tayrona e a Quinta de San Pedro Alejandrino. O primeiro guarda preciosidades da cultura indígena, como cerâmicas e peças de ouro. O segundo é o local onde morreu Simón Bolívar, herói da independência da Colômbia e de mais quatro países sul-americanos.
Na construção mais antiga da cidade - erguida em 1531 e antes chamada de La Casa de la Aduana -, estão expostas peças feitas por integrantes de 11 tribos pré-colombiana que habitaram Santa Marta, principalmente a região da Serra Nevada, entre os anos 900 e 1600. Hoje, restam apenas três comunidades, que somam cerca de 12 mil índios que moram em reservas.
E a primeira atração é justamente uma maquete que mostra onde esses índios viviam originalmente. Nas salas seguintes, o visitante tem a oportunidade de ver utensílios domésticos e jóias usadas pelos líderes das tribos. As peças de ouro são realmente impressionantes e cheias de detalhes. A maioria tem formato de animais - os índios acreditavam, que assim, conseguiriam a força deles
Libertador
Simón Bolívar passou os últimos dias de sua vida na Quinta de San Pedro Alejandrino, a cinco quilômetros do centro de Santa Marta, na tentativa de se recuperar das várias doenças que o afligiam. Seu médico esperava que o ar puro e a tranquilidade do local ajudassem na recuperação. A recomendação, como se sabe, não deu muito resultado, mas esse pedaço da história transformou o local em santuário.
A grama bem aparada e as estátuas do herói da independência deixam clara a importância da Quinta. Um dos locais mais procurados é o quarto onde Bolívar morreu, em 17 de dezembro de 1830, exatamente às 13h3min55s. Difícil acreditar em tanta precisão? Os guias contam que um militar fez questão de quebrar o relógio do cômodo com a espada no momento em que o coração de Bolívar parou de bater. E o relógio está lá para provar. Aproveite o passeio para visitar o Museu Bolivariano, no mesmo local, com pinturas contemporâneas de artistas colombianos.


