Colher de Pau inventa termo para definir estilo sonoro em disco de estréia
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sábado, 22 de maio de 1999
Ranulfo Pedreiro 
Nas águas turbulentas da indústria fonográfica vale remar para todo o lado em busca de fatias do mercado. Enquanto o crossover, em voga, rebola para driblar a banalização, a banda Colher de Pau, da Bahia, surge com o Pop Rural - termo que especifica a aproximação de nichos lucrativos como o country, o forró e o brega.
Apostando no sucesso, o Colher de Pau está lançando o disco homônimo pela Abril Music. O tal Pop Rural já aparece em Forró em Nova York, primeira faixa do CD, mesclando rock, rap e forró. Apresentando-se como alternativa à Axé Music, o disco traz country/sertanejo em Tequila no Rodeio e segue produzindo uma série de hits, até Não Hesitei, uma versão de Baby I Love Your Way, sucesso nos anos 80 com Peter Frampton, e um pot-pourri de Luiz Gonzaga e Dominguinhos incluindo Pagode Russo - gravada recentemente por Zeca Baleiro -, Nem se Despediu de Mim e Isso Aqui tá Bom Demais.
O problema é que, restrito aos interesses mercadológicos, o tal Pop Rural já surge pasteurizado, sem novidades. Pode até agitar festas e shows, mas não vai além. A mescla escorrega em letras insossas e a fusão passa longe da consistência obtida por outros nordestinos, como o Quinteto Violado, que acertou ao adaptar seu estilo ao mangue-beat, ou Xangai, que há anos funde, ao lado de Elomar, composições caipiras com música de câmara. Sem falar em Jackson do Pandeiro, que associou forró ao samba e até ao boogie-woogie com ótimos resultados. Na fusão do rock com forró, Raul Seixas também apresentou trabalhos interessantes no começo da década de 70. Em todos esses exemplos o mercado se apresentou como um fim secundário, misturar estilos é prática antiga na música brasileira.
Nós nos destacamos na Bahia fundindo country, brega e forró, e quando partimos para o CD criamos esse termo, Pop Rural, para classificar o trabalho. Então fizemos uma pesquisa de repertório, não quisemos arriscar um CD só com músicas nossas, comenta o vocalista Leo, em entrevista à Folha2. Talvez a falta de maturidade para compor seja um dos fatores que contribuem para que a mistura do Colher de Pau não ultrapasse a superficialidade.


