Coletiva "Lápis e o Papel" reúne a produção de artistas contemporâneos15/Mar, 15:15 Por Ana Weiss São Paulo, 15 (AE) - Enquanto Adriana Rocha apresenta versões sobre estampas de colchão e silhuetas de grades de portões reproduzidas sobre telas, Tomie Ohtake cria movimentos no ar com uma tubulação de aço maleável e Arthur Lesher escreve, em monitores de vídeo, as letras da palavra memória, que se desfazem antes de serem terminadas. Essa é a configuração da mostra coletiva que será aberta amanhã (16) para convidados na Galeria Nara Roesler: trabalhos feitos sobre suportes diferentes mas que trazem, cada um a sua maneira, a idéia do desenho como núcleo de discussão. Como uma ironia, a curadora Katia Canton chamou essa reunião de trabalhos que demonstram novas e elaboradas maneiras de se abordar a criação gráfica de "O Lápis e o Papel", dois dos mais rudimentares instrumentos de desenhar. "O desenho está reunido aqui como uma atitude de despojamento", observa a curadora, que diz ter montado a exposição em grupo com os artistas. "Essa simplicidade, essa busca pelo que é elementar é um das questões que, na minha opinião, marcam a participação dessas gerações ligadas à arte contemporânea", emenda. Katia acrescenta que fez questão de reunir artistas de linhas diferentes para ampliar os limites dessa reflexão sobre o desenho depois da implosão das fronteiras entre linguagens realizada pela arte contemporânea. Literalmente de lápis e papel participa da exposição apenas o trabalho de Nina Moraes, que é, na verdade, um trabalho tridimensional, em que o lápis e o papel participam como objetos da composição. Maria Tereza Louro também mostra sua delicadas criações feitas de lápis sobre papel, em formato pequeno. De resto, o desenho aparece como uma escrita que emerge da pintura, como nas telas de Alexandre Nóbrega ou como movimento sugerido, como na escultura "Pêndulo", outro trabalho de Arthur Lescher que sugere o movimento de um compasso. A maior parte das obras será vista pela primeira vez na exposição, como a instalação que José Spaniol criou no holandês Centro Europeu de Cerâmica e que mostra pela primeira vez no País. Com objetos feitos de cerâmica, a composição de Spaniol sugere uma biblioteca, que a curadora define no texto do catálogo como uma compacta, misteriosa e majestosa biblioteca, o grande recipiente de sentido e memória. "Insisti muito para que Spaniol mostrasse essa obra na mostra exatamente pelo fato de a memória e o sentido serem diretrizes na composição dessa coletiva", comenta Katia. Serviço - "O Lápis e o Papel". De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 11 às 15 horas. Galeria Nara Roesler. Avenida Europa, 655, tel. 3063-2344. Até 7/4.

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