São Paulo - Tradicionalmente dominado por homens, o universo sertanejo - especialmente o de duplas sertanejas - está conhecendo agora o sucesso de duas mulheres: as irmãs Simone e Simaria. Elas invadiram esse mercado e conquistaram o público com simpatia, beleza, vozes poderosas e músicas que narram dramas de mulheres apaixonadas.
"Se olharmos para trás, lembraremos de duplas femininas que estouraram no Brasil, como As Marcianas e as Irmãs Galvão. Mas os homens acabaram dominando todo esse pedaço. Não sei se existe preconceito com as sertanejas, mas eu e a Simaria sabemos bem das dificuldades que enfrentamos no dia a dia para conseguirmos ter o nosso trabalho reconhecido", desabafa a cantora Simone.
Atualmente, elas ocupam a décima posição na lista das músicas mais tocadas nas rádios de São Paulo com a faixa "Meu Violão e o Nosso Cachorro". A letra fala da dor pelo fim de um relacionamento. E talvez essa seja uma das razões de tanto sucesso. Na história cantada, as irmãs lamentam o término, mas não saem por baixo. Pegam suas coisas mais preciosas - o violão e o cachorro - e seguem em frente para arrumar suas vidas. Em tempos de discussão do empoderamento e da independência da mulher, a letra vem bem a calhar.
"A maior parte de nosso público é de mulheres. Falamos de traição, de relacionamentos perigosos e de paixões avassaladoras. Mas falamos de histórias reais, e as mulheres se identificam demais com nossas músicas", explica Simone.
Mas o público masculino também embarcou na onda de Simone e Simaria. Embora a beleza natural das cantoras e as roupas sensuais usadas nos shows possam servir como atrativos, é com a voz e o bom humor que essas irmãs conquistaram espaço no sertanejo.
"Somos muito respeitadas, tanto pelos fãs quanto pelos demais artistas. As pessoas nos abordam para falar de nossas músicas e dos shows que fazemos pelo país. E a gente atende a todos igualmente, com o mesmo carinho", garante a cantora.

DIFICULDADES INICIAIS
Após anos trabalhando como vocal de apoio na banda do cantor Frank Aguiar, as irmãs Simone e Simaria decidiram trilhar o próprio caminho. Tiveram o apoio moral do antigo chefe, mas contam que enfrentaram muita resistência do mercado musical, que não previa vida longa para uma dupla sertaneja formada só por mulheres.
Com o fim das economias, elas tiveram dias difíceis em São Paulo. "Houve uma época em que tínhamos R$ 200 para passar o mês", lembra Simone. E foi a falta de oportunidades que fez a dupla se separar, pela primeira vez.
"Fui para Fortaleza [Ceará] tentar a sorte, e a Simaria ficou em São Paulo. Lá, eu consegui entrar numa bandinha que se apresentava em churrascos e abria os shows de outros grupos. Consegui trazer a Simaria para cantar comigo, e foi aí que a começamos a dar certo."
O nome da banda era Forró do Muído. Os shows começaram a aparecer com mais intensidade, e elas gravaram um CD. "Começamos a ter fãs, e eles nos motivaram a sair da banda. Fizemos isso em 2012 e foi a nossa melhor decisão. Cantávamos forró e, na época, decidimos incluir no repertório algumas músicas sertanejas. Hoje, fazemos uma mistura dos dois ritmos", conta Simone.

FAMA NACIONAL
Simone e Simaria fizeram fama nacional. E em sua base de fãs consta um pequeno ilustre: Marcelo Sangalo, seis anos. O filho de Ivete Sangalo é um dos que se apaixonaram pelas sertanejas. "Mexendo na internet ele descobriu a gente e não parava de cantar nossas músicas. Até que a Ivete foi ver quem eram as 'coleguinhas' de que ele tanto falava", revela a cantora, referindo-se ao apelido pelo qual as irmãs são conhecidas.
As três tiveram o primeiro contato ao vivo em dezembro, quando se apresentaram, na Bahia. A cantora de axé recebeu as sertanejas em sua casa e as convidou para cantar uma música juntas. "Fiquei emocionada quando ela disse que nós não éramos cantoras passageiras, que temos muito talento e que o Brasil precisa nos conhecer. Ouvir essas palavras só nos faz ter mais vontade de trabalhar", diz Simone.

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