Colecionadores gostavam de garimpar prateleiras
Como toda cidade grande, Londrina já teve endereços que serviram como pontos de referência das novidades musicais. O colecionador Abel Chagas de Souza, 33 anos, conta que abasteceu boa parte de sua discoteca vasculhando as prateleiras das lojas Oásis Discos e Footloose, ambas fechadas em meados da década passada.
''Comprei muitos títulos de qualidade nessas lojas. Lembro do 'Blondie on Blondie', do Bob Dylan, que era um disco importado. Lembro também do 'Samba Esquema Novo', do Jorge Ben, e o 'Acabou Chorare' dos Novos Baianos'' cita. Mas apesar das aquisições memoráveis, ele não se sente órfão dos antigos estabelecimentos.
''Hoje, com a internet, consegue-se qualquer disco'' salienta. ''Ninguém precisa perder tempo procurando em lojas. Há muitas opções na rede, que vão desde raridades em vinil aos lançamentos. Qualquer CD novo pode ser acessado virtualmente antes dele chegar ao mercado. Ficou tudo mais fácil e rápido''. Abel acrescenta que, paralelamente às aquisições pela web, gosta de garimpar em sebos populares, que pipocaram em Londrina nos últimos três anos. ''Já encontrei muitos discos bons por apenas 3 reais'' revela.
Outro colecionador que também circula pelos sebos é o vendedor autônomo Humberto de Almeida, 52 anos. Dono de um acervo de 2 mil LPs e 200 CDs, ele diz que não poupa nem o Shopping Popular (paraíso de CDs piratas) em suas expedições. ''Tenho gosto musical heterogêneo. Já comprei uma coletânea do Almir Satter ali'' confessa. Lembrando os tempos áureos, diz que foi freguês das lojas Footloose e Santos Som Studio.
''Essas lojas me marcaram muito'' salienta. ''Foram nesses locais que comprei álbuns dos Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e diversos títulos de MPB. Há 10 ou 15 anos, havia mais pontos de venda. Mas aconteceu com as lojas o que aconteceu com os cinemas. Infelizmente, fecharam as portas''. (N.S)





