São Paulo, 11 (AE) - O engenheiro, financista e colecionador Renato de Almeida Whitaker apresentou hoje à imprensa 24 obras atribuídas ao escultor mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), que serão expostas a partir de sexta-feira (14) no restaurante Antiquarius (Alameda Lorena, 1.884, Jardins), em São Paulo. As peças de Whitaker, de pequeno e médio porte, são de madeira e madeira policromada e foram adquiridas, segundo ele, em leilões e feiras ao longo de 20 anos.
Na semana passada, ele recusou-se a enviar duas de suas obras à exposição "Mostra do Redescobrimento - Bienal Brasil 500 Anos", por divergências com a curadora, Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, funcionária aposentada do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Myriam diz que não é possível expor as obras sem que antes passem pelo crivo de um especialista para determinar a autenticidade de sua autoria. Whitaker sentiu-se afrontado e resolveu montar sua própria mostra com o acervo, que inclui 36 obras atribuídas a Aleijadinho e outras 5 de Mestre Piranga, outro expoente do barroco.
"Ninguém tem 36 Aleijadinhos", afirmou a especialista. "Quem mais conhece Aleijadinho do que o restaurador que trabalha em Congonhas do Campo, em Minas, em sua obra, ou o varredor que passa 8 horas do dia ali em volta daqueles trabalhos?", retrucou o colecionador. Whitaker disse que não tem dúvidas sobre a autoria de nenhuma de suas peças, embora tenha preferido expor apenas 24 em vez das 36 que possui. O motivo, segundo ele, é que algumas delas são imagens repetidas - ele possui, por exemplo, três Cristos crucificados, um deles "vivo" (imagem rara, com os olhos abertos).
Sua convicção na autenticidade das obras tem como base, além de laudos de especialistas, o que considera "características óbvias" dos trabalhos do mestre mineiro: as semelhanças de traços entre as esculturas, o porte, a posição do polegar, do cabelo, os sapatos com os pés trocados, o cabelo na testa disposto como vírgulas ao contrário.
O proprietário do restaurante, Thales Martins Filho de Almeida, disse que fez um seguro especial para seu estabelecimento durante o período que estará exibindo os Aleijadinhos - até setembro. As obras serão protegidas por lâminas de vidro temperado. Almeida também afirmou que pediu um esquema especial de segurança - as peças, segundo o colecionador
têm valor inestimável. Visitação - O problema maior é a visitação. O Antiquarius é um restaurante caro e elitista, acessível a poucos - apesar dos protestos do maŒtre, Carlos Bettencourt. Um dos seus clientes famosos é o cantor Roberto Carlos. Sua carta de vinhos têm exemplares que custam até R$ 2.500,00. Almeida afirmou que poderá montar um esquema especial de visitação, entre 15 e 18 horas, para o não-cliente do restaurante. Ainda assim, subiriam pouquíssimas pessoas de cada vez.
Whitaker começou sua coleção com uma obra comprada do colecionador Plácido Gutierrez, há 20 anos. Entre as obras de maior beleza da exposição estão o "Bom Jesus da Paciência" e uma "Nossa Senhora da Conceição" com uma lua invertida esculpida com olho, nariz e boca. Sua proveniência, segundo ele, é uma igreja demolida em Jaraguá. O colecionador tem uma réplica de uma igreja barroca em sua fazenda em Itu, na Estrada do Jacu, construída com material de demolição para abrigar suas obras. "Não sou proprietário dessas obras, mas um fiel depositário", disse. "Isso um dia irá para um museu, fatalmente."

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