São Paulo - Primeiro nasceram os filmes, feitos por índios cineastas dos povos panarás, que vivem em Mato Grosso e no Pará, ikpengs, em Mato Grosso, e wajãpis, no Amapá. Dos vídeos, desdobraram-se os livros, com as histórias adaptadas para crianças, em uma linguagem simples, parecida com o jeito de falar indígena, e recheadas de ilustrações. Os três filmes e livros compõem a coleção "Um Dia na Aldeia", lançamento do Vídeo nas Aldeias com a editora Cosac Naify, que apresenta uma visão autêntica e realista dos primeiros habitantes do Brasil.
"A ideia é sensibilizar as crianças em relação a um universo que não conhecemos, que nos livros didáticos aparece de forma totalmente equivocada. Os índios não estão apenas em 1500, estão do nosso lado, vivendo, se apropriando da nossa cultura, mas mantendo as suas. A questão indígena no País envolve desrespeito ao direito e muita violência. Isso também faz parte do que somos nós", afirma a escritora e educadora Ana Carvalho, que integra a equipe do Vídeo nas Aldeias e assina a adaptação da história "Depois do Ovo, a Guerra", feita com base no filme de Komoi Panará.
Neste livro, as crianças panará brincam de reviver a guerra de seu povo contra os txucarramães, seus antigos inimigos. Pintam o corpo, cortam seus cabelos e produzem as armas para celebrar a história.
Os outros dois livros - "A História de Akykysia, o Dono da Caça" e "Das Crianças Ikpeng Para o Mundo" - foram adaptados pela escritora, ilustradora e atriz Rita Carelli, que também fez os desenhos de toda a coleção. Na primeira obra, Rita conta a lenda dos índios wajãpis e do monstro Akykysia, que mora no buraco de um tronco de sumaúma. Na segunda, o foco é a vida em uma aldeia ikpeng. Por meio elas, o leitor conhecerá a casa do cacique, o hábito de tomar banho no rio e de comer frutas direto do pé, além de compreender como se dá a divisão de tarefas entre homens e mulheres.
Para fazer as ilustrações, Rita fez diversas oficinas de ilustração com as crianças indígenas. Levou papel, lápis e tinta e propôs que elas desenhassem. Curiosamente, conta, os índios optaram por cores fora da paleta tradicionalmente usada quando são retratados - eles ficaram fascinados com os tons néon.
Os livros são bilíngues: em português e no idioma falado pelos índios da aldeia retratada. A ideia é que eles sejam lidos tanto por leitores "brancos" quanto pelas crianças indígenas.

SERVIÇO
Coleção "Um Dia na Aldeia"
Adaptação - Ana Carvalho, Rita Carelli
Ilustrações - Rita Carelli
Editora – Cosac Naify
Páginas – 144
Quanto – R$ 107,90 (preço promocional)

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