Coleção abriga mais de 700 livros
Se existe uma pessoa que admira e pesquisa as obras de Mário de Andrade em Londrina, este é o professor de História Carlos Okawati. Com mais de 700 publicações de várias edições e exemplares em línguas de todo o mundo, reunidas desde que Okawati tinha 20 anos, ele diz que é difícil sintetizar a obra do escritor. "Existem, Brasil afora, mais de 200 teses entre mestrado e doutorado sobre suas produções. Mário era uma galáxia e sua obra é múltipla. Sou admirador por causa do conteúdo, mas, sobretudo, pela importância na história cultural do País, pois foi um desbravador em várias artes. Ele estava na vanguarda de seus colegas e, até hoje, percebo que está mais vivo e atual do que nunca", diz, mostrando com orgulho seu exemplar da primeira edição de Pauliceia Desvairada, considerada o expoente do Modernismo brasileiro.
Guardados em várias caixas num pequeno quarto, o professor lamenta, apenas, não ser organizado com os livros como o autor. "Impossível ser como ele, que chegou a reunir mais de sete mil correspondências que recebeu de vários artistas. Até nisso ele era brilhante."
Por falta de espaço para armazenamento, Okawati prepara-se para abrir mão de sua coleção. "Gostaria de repassar a um guardião único que pudesse armazenar sem fragmentar a coleção", conta. Tudo, entretanto, seria repassado por um valor praticamente simbólico, já que existem obras que são verdadeiras relíquias. "Possuo títulos aqui que nem mesmo a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, tem", diz ele, mostrando uma versão de Macunaíma publicada em polonês e dinamarquês.
Além dos livros, ele possui dezenas de fotos e cerca de 50 ilustrações da figura do autor feitas por artistas londrinenses como Paulo Menten. (M.T.)





