A Física e Matemática não deram conta de explicar Agenor Evangelista, artista plástico londrinense que, nas contas dos 54 anos de vida em que, mais de 30 são dedicados à arte, o resultado da equação é cor.
Militante dos movimentos negros, desde o início da década de 80, o artista que abandonou o curso de Arquitetura pelas artes visuais pela dificuldade com números e fórmula, abre hoje, às 20h30, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, dentro da programação da Semana Zumbi dos Palmares, a exposição 'Coisas de Negro' em que mais uma vez o negro é a diferença. A exposição tem entrada franca e fica aberta ao público até o dia 28.
Artista que é a representação da boemia londrinense, Evangelista contabiliza mais de 6 mil obras. Uma produção intensa pintada ao ar livre ou numa mesa de bar. Esse é Evangelista que os personagens - não só da noite, mas da madrugada conhecem bem porque também são retratados em sua obra. ''De tanto conviver com movimentos negros, os brancos aparecem muito pouco nos meus quadros. Nos milhares de quadros que já pintei se tiver umas 100 mulheres brancas é muito e, mesmo assim, elas têm traços negróides'', afirma Evangelista.
Nesta exposição individual, apesar de não se dar bem com números, Evangelista recorre a eles ao apresentar 54 obras, de 54 centímetros a 77 centímetros, números que fazem referência à data de nascimento do artista e ao ano em que começou a pintar.
Com uma biografia que inclui fatos que se tornaram lendas, como a troca de quadros por cerveja, Evangelista tem o seu lugar na cena artística londrinense também por democratizar a arte. Os quadros da exposição poderão ser adquiridos por preços que variam de R$ 54 a R$ 77 e de R$ 540 a R$ 770 - outro trocadilho com números importantes em sua trajetória.
Acrílico sobre tela ou papel e desenhos fazem parte da exposição de Evangelista que, desde que começou nas artes visuais mantém-se fiel ao expressionismo de Di Cavalcanti (1897-1976) e Cândido Portinari(1093-1962). ''Algumas vezes ensaio um abstrato, mas a tendência é me libertar do traço. Sou mais ligado à expressão da pessoa humana no seu cotidiano. Nunca trabalhei com modelos, mas, recentemente, adotei a técnica. Acredito que trará alguma mudança no meu trabalho'', ressalta o artista.
Evangelista lembra que ao iniciar a carreira, um artista plástico do Rio de Janeiro disse que para se tornar conhecido pelo menos em sua cidade levaria uns 30 anos. Ao contrário das soluções de Física e Matemática, essa é uma equação que Evangelista conseguiu resolver.
SERVIÇO
- Coisas de Negro - de Agenor Evangelista
Quando - De hoje, às 20h30, ao dia 28
Onde - Vila Cultural Cemitério de Automóveis (R. João Pessoa, 103), em Londrina

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