Coisa de louco
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 1998
Guto Barra Planet Pop/AE 
O Artista, antigamente conhecido como Prince, acaba de lançar mais um disco sofrível. Mais um pouco e isto vai deixar de ser notícia, dado o volume de porcaria que ele conseguiu colocar no mercado em tão pouco tempo. O músico e sua New Power Generation estão de volta com o inexplicável New Power Soul, cujo único ponto positivo é não ser um CD duplo.
É impressionante o quanto um artista talentoso como Prince, que passou boa parte dos anos 80 preocupado em ser tratado como um gênio, mas conseguindo surpreender com boas experimentações, se perdeu nos últimos anos. Toda a tentativa de renovar sua imagem, forçando o mundo a identificá-lo por meio de um símbolo roubado de filosofias indianas, acabou apenas prejudicando o lado musical. Ele ainda não chegou ao ridículo de Michael Jackson, mas já está bem perto. Na verdade o Artista já empatou com Wacko no mau gosto da estética visual de seus discos e websites, que são uma mistura de Home Shopping Network com culto do Heavens Gate.
Pouca coisa produzida pelo músico depois do disco Diamonds & Pearls, de 1991, merece destaque. Fazer discos inexpressivos de funk até 1995 ainda é compreensível. O duro é que hoje fica muito mais óbvio quando um autoproclamado gênio da música produz material fraco. Vivemos em uma época em que, felizmente, existe Beck, Tricky, Goldie, Beastie Boys e A Tribe Called Quest, para citar os mais conhecidos.
New Power Soul tem aquelas faixas funk, cheias de instrumentos de sopros, com coros cantando em uníssono que todo mundo tem que ficar louco. Tudo desculpa para citar o nome da New Power Generation diversas vezes, como na música que abre o disco e que leva o mesmo nome. Há também aquelas velhas baladas em que o Artista usa seu falsete para falar de amor, como na enfadonha Come On. Francamente, o músico conseguiu até perder seu apelo sexual com tanta chatice. Alguém, por exemplo, ainda quer ouvir que ele costumava fazer sexo selvagem de manhã cedo? Pois esta é a letra de Mad Sex. E há ainda aquelas em que não deu para criar um refrão com tanta qualidade e a coisa ficou mesmo no shoo-bed-ooh, na faixa que leva este nome (!). Inacreditável.
Em entrevistas recentes (que aliás ganham cada vez menos destaque na imprensa norte-americana), ele faz questão de frisar que a New Power Generation é uma banda democrática, mais interessada em fazer jams e improvisar muito. A única coisa que une o grupo é o vegetarianismo, proclamou o Artista à revista Time Out. Então que tal restringir a atividade da banda a apresentações ao vivo até que realmente apareça alguma coisa que mereça ser prensada em CD?


