Cofres abertos ao cinema
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Dary Júnior Curitiba 
ReproduçãoIldefonso Pereira Correia, o Barão do Serro AzulComo é possível divulgar sua marca, dar apoio à cultura, resgatar a memória paranaense, pagar menos imposto de renda e até ganhar dinheiro, tudo de uma só vez? A resposta está no Certificado Audiovisual (CAV). Trata-se de um título lançado pela Corretora Banestado para financiar o filme Serro Azul, sobre a vida de Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul. Já conseguimos vender o equivalente a mais de 60% do orçamento de R$ 2,5 milhões, anuncia o operador de mercado de renda fixa do banco, Paulo May.
O CAV começou a ser vendido em maio, após a operação ser autorizada pelo Conselho de Valores Mobiliários (CVM). Esse esquema de financiamento tem sido utilizado com sucesso para viabilizar várias produções nacionais. Uma delas é O Quatrilho, de Fábio Barreto, indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1996. O investimento no projeto pode ser deduzido do imposto de renda, desde que não ultrapasse o limite de 3% do valor devido. May completa: E ainda há possibilidade de lucro caso Serro Azul tenha boa bilheteria.
May garante que não é papo de vendedor. O Quatrilho, por exemplo, deu um retorno de 59,8% aos investidores. Temos todas as condições de bancar essa produção e abrir caminho para financiar outros projetos, acredita o corretor. A expectativa vem da boa receptividade à proposta de levar a história do barão do Serro Azul para o cinema. Entre as empresas que já garantiram apoio ao filme e o nome no cartaz, a posição de maior investidora fica com a Companhia Paranaense de Eletricidade (Copel).
Pessoas físicas e jurídicas interessadas em investir no filme podem obter mais detalhes pelo telefone (041) 322-4100. O produtor de Serro Azul, Maurício Appel, está eufórico com o ritmo da captação de recursos. Se continuar assim, o orçamento deve ser fechado em outubro, com início das gravações em março de 1998, prevê. Segundo ele, a direção está entregue a Marcos Freitas, o mesmo dos curtas-metragens Curitibas e A Lenda das Cataratas do Iguaçu.
Imagem É uma equipe que trabalha unida há bastante tempo e se preparou para o desafio de fazer um longa-metragem, comenta Appel. Serro Azul tem duração prevista para 90 minutos. Para escrever o roteiro foi contratado o novelista Walter Negrão, autor de sucessos como Tropicaliente e Anjo de Mim, produções da Rede Globo de Televisão. De acordo com o produtor, a pesquisa para a redação do texto tomou como base o livro A Última Viagem, do historiador Túlio Vargas.
Appel espera que o filme contribua para resgatar a imagem do barão, que teria sido escondida pelo sistema - leia um resumo de sua vida nesta página . Vamos absolver a memória dele, afirma o produtor. O ator José Mayer deve fazer o papel do protagonista, que foi o maior empreendedor do Paraná no final do século passado. Tony Ramos, Tarcísio Meira e Lima Duarte também estão cotados para integrar o elenco. O maestro Jaime Zenamon foi encarregado de compor a trilha sonora, que vai ser gravada com uma orquestra alemã.
São aproximadamente 500 pessoas envolvidas na produção, conta Appel. Ele diz que o figurino de época e a parte cenográfica estão praticamente definidos. No Paraná, as filmagens vão ser feitas em Curitiba, Lapa, Castro e Paranaguá. As antigas estações de trem de Jaraguá do Sul e Corupá, em Santa Catarina, também foram mapeadas para servir de locação. O produtor já decidiu o que fazer assim que Serro Azul for concluído. Meu próximo projeto é O Sentinela do Invisível - Vida e Poesia de Mário Quintana, pois me antecipei aos gaúchos e comprei os direitos do filme, adianta.


