ReproduçãoIldefonso Pereira Correia, o Barão do Serro AzulComo é possível divulgar sua marca, dar apoio à cultura, resgatar a memória paranaense, pagar menos imposto de renda e até ganhar dinheiro, tudo de uma só vez? A resposta está no Certificado Audiovisual (CAV). Trata-se de um título lançado pela Corretora Banestado para financiar o filme ‘‘Serro Azul’’, sobre a vida de Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul. ‘‘Já conseguimos vender o equivalente a mais de 60% do orçamento de R$ 2,5 milhões’’, anuncia o operador de mercado de renda fixa do banco, Paulo May.
O CAV começou a ser vendido em maio, após a operação ser autorizada pelo Conselho de Valores Mobiliários (CVM). Esse esquema de financiamento tem sido utilizado com sucesso para viabilizar várias produções nacionais. Uma delas é ‘‘O Quatrilho’’, de Fábio Barreto, indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1996. O investimento no projeto pode ser deduzido do imposto de renda, desde que não ultrapasse o limite de 3% do valor devido. May completa: ‘‘E ainda há possibilidade de lucro caso ‘Serro Azul’ tenha boa bilheteria’’.
May garante que não é papo de vendedor. ‘‘O Quatrilho’’, por exemplo, deu um retorno de 59,8% aos investidores. ‘‘Temos todas as condições de bancar essa produção e abrir caminho para financiar outros projetos’’, acredita o corretor. A expectativa vem da boa receptividade à proposta de levar a história do barão do Serro Azul para o cinema. Entre as empresas que já garantiram apoio ao filme e o nome no cartaz, a posição de maior investidora fica com a Companhia Paranaense de Eletricidade (Copel).
Pessoas físicas e jurídicas interessadas em investir no filme podem obter mais detalhes pelo telefone (041) 322-4100. O produtor de ‘‘Serro Azul’’, Maurício Appel, está eufórico com o ritmo da captação de recursos. ‘‘Se continuar assim, o orçamento deve ser fechado em outubro, com início das gravações em março de 1998’’, prevê. Segundo ele, a direção está entregue a Marcos Freitas, o mesmo dos curtas-metragens ‘‘Curitibas’’ e ‘‘A Lenda das Cataratas do Iguaçu’’.
Imagem ‘‘É uma equipe que trabalha unida há bastante tempo e se preparou para o desafio de fazer um longa-metragem’’, comenta Appel. ‘‘Serro Azul’’ tem duração prevista para 90 minutos. Para escrever o roteiro foi contratado o novelista Walter Negrão, autor de sucessos como ‘‘Tropicaliente’’ e ‘‘Anjo de Mim’’, produções da Rede Globo de Televisão. De acordo com o produtor, a pesquisa para a redação do texto tomou como base o livro ‘‘A Última Viagem’’, do historiador Túlio Vargas.
Appel espera que o filme contribua para resgatar a imagem do barão, que teria sido ‘‘escondida pelo sistema’’ - leia um resumo de sua vida nesta página . ‘‘Vamos ‘absolver’ a memória dele’’, afirma o produtor. O ator José Mayer deve fazer o papel do protagonista, que foi o maior empreendedor do Paraná no final do século passado. Tony Ramos, Tarcísio Meira e Lima Duarte também estão cotados para integrar o elenco. O maestro Jaime Zenamon foi encarregado de compor a trilha sonora, que vai ser gravada com uma orquestra alemã.
‘‘São aproximadamente 500 pessoas envolvidas na produção’’, conta Appel. Ele diz que o figurino de época e a parte cenográfica estão praticamente definidos. No Paraná, as filmagens vão ser feitas em Curitiba, Lapa, Castro e Paranaguá. As antigas estações de trem de Jaraguá do Sul e Corupá, em Santa Catarina, também foram mapeadas para servir de locação. O produtor já decidiu o que fazer assim que ‘‘Serro Azul’’ for concluído. ‘‘Meu próximo projeto é ‘O Sentinela do Invisível - Vida e Poesia de Mário Quintana’, pois me antecipei aos gaúchos e comprei os direitos do filme’’, adianta.

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