Cobertores e desorganização
Simone Mattos
De Curitiba
Celebridades nacionais deram um show à parte no desfile de encerramento da Campanha do Cobertor. Porém, evento foi marcado por uma série de contratempos
Uma festa que poderia ter sido brilhante, pela quantidade de personalidades nacionais que abriram mão de seus cachês para participar da noite, acabou se transformando numa sucessão de equívocos que irritaram o público curitibano. O desfile de encerramento da bem-sucedida Campanha do Cobertor 1999, promovida pelo Provopar-PR, que aconteceu na noite de terça-feira, na Konys, foi mal organizado e deixou muito a desejar.
A idéia era a de apresentar 74 peças, criadas a partir de cobertores e materiais recicláveis, num movimentado e criativo desfile. Na passarela, os manequins por um dia iam desde o pugilista Maguila - que se apresentou ao lado da secretária pessoal do governador Jaime Lerner, Duda de Camargo - até modelos de verdade, como Adriane Galisteu e Luciano Szafir, artistas como Carla Perez e Ingra Liberato além de muitas outras personalidades locais e nacionais.
Quem primeiro subiu à passarela foram os malabaristas do CircoLuz, que fizeram evoluções com tochas de fogo. Na sequência, o público viu um desfile completamente eclético e bem-humorado. Enquanto os primeiros bailarinos do Teatro Guaíra, Eleonora Greca e Wanderley Lopes, surgiam com peças do século 16, ao som de uma ópera, atletas como Hortência e Robson Caetano - que foi a grande sensação do desfile - arrancavam aplausos do público, dançando e sorrindo.
As roupas, desenhadas por Jussara Voss e Maria Amélia Peixoto, exploraram a falta de acabamento, os cortes navalhados e as peças desconstruídas. Sem espaços para a ditadura da moda, os modelos apresentados no desfile eram soltos, despretensiosos, leves, sensuais e interessantes.
O desfile foi bonito e agradou, mas os principais inconvenientes da noite foram o local onde a festa aconteceu - totalmente inadequado à proposta - e o amadorismo da equipe que produziu o evento. Grande parte do público - que pagou R$ 15,00 por cada ingresso - não conseguiu assistir bem ao desfile. Mesmo os que conquistaram um disputado lugar próximo à passarela, estavam mal acomodados, em pé, e foram submetidos a um verdadeiro empurra-empurra.
O desconforto, no entanto, começou bem antes do desfile. No horário marcado para o início do evento, às 20h30, uma fila imensa dobrava quarteirões. Senhoras bem vestidas, com salto alto e jóias, passavam frio e apanhavam sereno enquanto aguardavam a permissão para a entrada do público na Konys.
O desfile começou com mais de uma hora de atraso e a imprensa foi impedida de trabalhar. Enquanto os artistas, atletas e personalidades locais se preparavam nos camarins, uma das produtoras do desfile, Elaine Minhoca de Lemos, impedia o acesso de jornalistas ao local, alegando que as entrevistas só poderiam ser feitas após o término da apresentação. Encerrado o desfile, a imprensa foi novamente barrada na escada de acesso aos bastidores, sob a alegação de que agora não seriam mais permitidas entrevistas.





