São Paulo - A premissa de Clube dos Sobreviventes, de Ben Sherwood, é interessante: analisar os casos de pessoas que passam por situações perigosas e acidentes e tentar descobrir por que alguns sobrevivem, e outros, não.
Sherwood entrevista uma mulher que teve o coração perfurado por uma agulha de crochê, outra que sobreviveu ao ataque de um leão, sobreviventes de desastres aéreos, de torturas, de incêndios, de toda sorte de calamidades. O autor se interna numa base de fuzileiros navais dos Estados Unidos e se submete a testes cruéis de sobrevivência, como simulação de acidente de helicóptero no mar.
Além do relato dessas experiências, enumera diversos fatos curiosos. Descobrimos, por exemplo, que a pior coisa num naufrágio é beber água do mar, que só acelera a desidratação do corpo. Outra dica: não se deve retirar do corpo de feridos objetos antes de chegar ao hospital.
Sherwood conta que o australiano Steve Irwin, famoso caçador de crocodilos da TV, que morreu em 2006 depois de ter sido ferroado por uma raia, teria sobrevivido se não tivesse retirado o ferrão. O veneno não o matou. Ao arrancar o gancho serrilhado do peito, feriu o átrio e o ventrículo esquerdos, causando mais sangramento e uma parada cardíaca. O dano causado pela remoção foi muito maior do que o trauma causado pela ferroada.
Também é interessante descobrir que a taxa de sobrevivência em desastres aéreos é de 95,7%. Pena que esse dados apareçam jogados no texto, que mais se assemelha a um cansativo manual de autoajuda e sobrevivência.
O livro traz, inclusive, instruções para fazer um teste para descobrir seu perfil de sobrevivente. Não cheguei a fazer o teste, porque não sobrevivi à chatice do texto.

SERVIÇO
- Clube dos Sobreviventes
Autor - Ben Sherwood
Tradução - Renata Telles
Editora - Fontanar
Quanto - R$ 34,90 (328 págs.)

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