O informal ‘‘Bom Dia Brasil’’ virou modelo de telejornalismo. Basta assistir a outros programas do gênero, como o ‘‘Fala Brasil’’, da Record, e o reformulado ‘‘Jornal Hoje’’, da Globo, para perceber que o estilo do noticiário comandado por Renato Machado e Leilane Neubarth está sendo descaradamente copiado. Assim como o ‘‘Bom Dia Brasil’’ faz desde 1996, quando estreou na Globo, os dois telejornais também buscam uma maneira descontraída de comentar as notícias, tentando estabelecer uma espécie de bate-papo informal. O problema é que poucos têm a competência de Renato Machado para tratar a notícia de forma séria mesmo indo fundo na informalidade. Talvez pela vasta experiência como jornalista – são 30 anos de profissão –, Renato consegue trocar em miúdos mesmo notícias mais complexas, como de política e economia, com naturalidade.
Justamente o contrário de Carlos Nascimento, por exemplo, à frente do ‘‘Jornal Hoje’’. O próprio jornalista sugeriu a entrada de Carla Vilhena na apresentação do telejornal da Globo, que completou 30 anos em 2001. Nascimento foi o primeiro a reconhecer que se sentia sozinho na bancada e que uma apresentadora poderia tornar o ambiente mais ameno, assim como servir para comentar as notícias com ele. Justamente como no ‘‘Bom Dia Brasil’’, aliás, noticiário em que os dois jornalistas já participaram e foram claramente influenciados. O desejo do apresentador foi realizado. Mas, definitivamente, o ar descontraído pelo qual Nascimento procurava ainda não chegou no ‘‘Jornal Hoje’’, que passou a ser exibido da redação paulistana da Globo e não mais dos estúdios.
A entrada de Carla Vilhena serviu mais para dividir a tarefa de apresentar o telejornal com Nascimento do que qualquer outra coisa. A apresentadora até tem boa postura, lê o telepromter direitinho, mas está longe de conseguir analisar a notícia com a desenvoltura de Leilane Neubarth, por exemplo. E com a desculpa de se dedicar inteiramente à apresentação, Nascimento também deixou de ser editor-chefe do ‘‘Jornal Hoje’’, que foi parar nas mão de Marco Antônio Rodrigues. Algo inexplicável, já que com Vilhena a seu lado, ele poderia fazer o inverso. Não se preocupar tanto com a apresentação em si e se dedicar mais a ficar por dentro das notícias para traçar comentários mais originais. Justamente o que Renato Machado faz tão bem no ‘‘Bom Dia Brasil’’.
Além disso, Carlos Nascimento definitivamente não tem humor para fazer piadinhas ou algo parecido. Ele tem mais a ver com o estilo moderado e sisudo que teve seu ápice no ‘‘Jornal Nacional’’ com Cid Moreira e levado adiante pela histriônica Lilian Wite Fibe e assumido depois pelo inodoro William Bonner. O estilo foi referência no telejornal brasileiro até a década de 90 e encontrou com o início da ‘‘Era Bonner’’ o ponto de decadência. Para ficar mais evidente a influência do ‘‘Bom Dia Brasil’’ no reformulado ‘‘Jornal Hoje’’ só faltou colocarem poltronas e mesinha de centro para os apresentadores baterem papo. Isto não aconteceu na Globo, mas o ‘‘Fala Brasil’’, da Record, não teve esse tipo de ‘‘pudor’’.
O telejornal apresentado por Mônica Waldvogel e Rodolfo Gamberine na emissora do Bispo Macedo é descaradamente uma cópia do ‘‘Bom Dia Brasil’’. Não só os apresentadores sentam num sofá, como recebem os comentaristas também, exatamente como no matutino da Globo. Justiça seja feita a Mônica, que consegue analisar os fatos com propriedade e de maneira bem mais informal que a dupla Nascimento/Vilhena. O problema é o time que compõe sua equipe. O ‘‘Bom Dia Brasil’’, por exemplo, tem reforços de peso, como Edney Silvestre, Mirian Leitão, Maurício Torres e Alexandre Garcia, embora seja indiscutível o desfalque com a saída do colunista Ricardo Boechat.
Já o ‘‘Fala Brasil’’ conta com jornalistas jovens e ainda desconhecidos e o ‘‘Jornal Hoje’’ dá mais espaço para entradas ao vivo do que para matérias reflexivas. Apesar de serem exibidos em horários diferentes, o que se percebe é que os dois telejornais buscam a descontração do ‘‘Bom Dia Brasil’’ e começam a sepultar a ultrapassada idéia de o jornalista ser um simples transportador de notícias. Pelo jeito, os dias do apresentador que se contenta em ler teleprompter estão contados.

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