Curitiba - Demora um pouco para acessar e a navegação é um pouco lenta. Mas a idéia é boa e, com o tempo, pode se transformar numa ótima fonte de pesquisa. Trata-se do primeiro site sobre comunidades negras da Lapa, município que fica a 70 quilômetros de Curitiba. O site www.afrodescendentesdalapa.pr.gov.br mostra o levantamento fotográfico e histórico nas áreas do Feixo e da Restinga. Surgiu do projeto ''Comunidades da Restinga e do Feixo: Herança dos afro-descendentes da Lapa/PR'', aprovado pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e fruto de um documentário coordenado pela jornalista Fernanda Castro.
No site, os interessados podem ver os detalhes do projeto, que engloba exposições, catálogos e oficinas de fotografia e também conhecer um pouco da história dessas duas comunidades, surgidas pouco antes da abolição e cujos costumes ainda estão presentes. A idéia é que o endereço seja atualizado regularmente. Por enquanto, o site traz algumas entrevistas com moradores dessas duas regiões, além de fotografias e um registro histórico do município.
A cidade da Lapa, antigamente chamado Vila Nova do príncipe, é uma das mais antigas cidades do Paraná . É uma região tradicional, com uma historia que tem inicio em 1541, com a passagem de D. Alvar Nunez Cabeza de Vaca pelo território. O município ficou famoso por fazer parte do Caminho dos Tropeiros (ponto de referência e abastecimento de toda a Região Sul brasileira) e por ter sido palco de um dos episódios mais trágicos da Revolução Federalista (1893/94), o Cerco da Lapa, que rendeu até um filme: ''O Preço da Paz'' com grande parte das gravações filmadas no município paranaense.
A Lapa abriga duas comunidades de descendentes africanos que remontam ao século 19: a da Restinga e a do Feixo. Segundo informações do site, elas foram criadas por escravos libertos, antes da promulgação da lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Estes ganharam as terras de seus donos, ali passaram a viver, constituir famílias e transformaram esse território num pedaço de sua terra natal. A cultura transmitida de geração em geração venceu os tempos e, mais de um século depois, mantém-se viva,. São essas manifestações que o site quer preservar, como a Congada, cuja representação através da dança e canto, conta uma histórica tendo como personagens centrais representantes dos reinos do Congo e de Angola.
O projeto tem o patrocínio do Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE) e da Peróxidos do Brasil Ltda. Conta, ainda, com apoio da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), que implantou o site, do grupo de trabalho Clóvis Moura, que faz o mapeamento das comunidades negras do Paraná, e do Instituto Brasileiro Sócio Ambiental de Documentaristas. É um exemplo de como a tecnologia pode ajudar na preservação da memória. A idéia é boa, falta apenas deixar o endereço mais atrativo.

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